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Review – Mothergunship: Forge

Roguelike com robôs e criação livre de armas em VR? Não tem como isso dar errado

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mothergunship forge bg

Há 4 anos, a Terrible Posture Games lançava Mothergunship para PC, PlayStation 4 e Xbox One. Sua ideia de pegar um FPS e misturar bullet-hell com roguelike deu muito certo. Mas o que realmente faz ele brilhar é a possibilidade de juntar peças diferentes para dar vida às armas mais estranhas, grandes e poderosas possíveis. Conectores, aprimoradores e disparadores diferentes abrem um leque imenso de possibilidades, definindo seu desempenho em fases em que os inimigos não dão sossego nem por um segundo.

Mothergunship: Forge, projetado exclusivamente para VR, chega ao Valve Index e Meta Quest 2 como um sucessor espiritual. Dentro de um mecha futurista, seu objetivo é o mesmo do game original: derrotar a nave-mãe do título. Para isso será necessário enfrentar hordas de alienígenas metálicos e chefões poderosos para juntar peças e upgrades importantes. Mais difícil do que isso será escolher o caminho (dentre 3 opções) ponderando qual recompensa vale mais a pena. E como em todo roguelike, uma decisão errada pode complicar a sua vida na próxima área.

Você é jogado na ação logo de cara, descobrindo que suas mãos robóticas podem ser usadas para socar inimigos que se aproximam. Ao receber sua primeira peça aleatória de arma, você a encaixa em um mecanismo que fica em cima das mãos e já sai usando. Depois vem um conector, que permite acoplar outras peças como aprimoradores, expandindo os poderes da arma. Não demora muito pra você aprender como o gameplay funciona e evoluir a ponto de atirar pizzas explosivas nos inimigos.

Mothergunship: Forge
Mothergunship: Forge não deixa nada a desejar no Meta Quest 2

Combate com armas bizarras

Jogar este game em realidade virtual é extremamente satisfatório. Dá quase pra sentir nas mãos as peças manipuladas por você, com controles precisos e intuitivos. Dá inclusive pra tirar a peça de uma mão e colocar na outra. Impedido de se locomover livremente pelo cenário, o jogador interage com os inimigos atirando e distribuindo socos enquanto desvia fisicamente dos tiros. Mothergunship: Forge te obriga a se mexer e agachar pra não tomar chumbo quente.

Ao morrer, você perde a sua criação e precisará começar tudo de novo, porém mantendo os cristais obtidos para desbloquear complementos permanentes e outras vantagens importantes. Em sua estação, você recebe informações (e provocações) de outros personagens enquanto configura sua próxima partida. Quanto aos níveis, eles são bem lineares e focados na ação e recompensa.

Mothergunship: Forge incentiva o jogador a pensar mais na construção das armas do que no combate em si. Claro, vai ter inimigos a rodo te dando trabalho, inclusive alguns escondidos no cenário. Mas o que realmente define seu sucesso é a escolha das peças e o que fazer com elas. Ou seja, ficar esperto com os conectores, mods e updates para no fim ter duas armas poderosas para usar. Escolhas mal feitas resultam em armas fracas em ocasiões em que os inimigos são mais fortes. Nestes casos, basta desmontar a arma e testar outras ideias.

Mothergunship: Forge
Tem hora que a arma fica tão gigante que atrapalha a sua visibilidade

Dançando na chuva (de balas)

Eu não faço a menor ideia das combinações possíveis para se criar novas armas. Tem tantas peças que é fácil se perder, sem saber se a mistureba tecnológica vai dar certo. Creio eu não ter visto nem metade das possibilidades. E isso é maravilhoso se pensarmos no fator replay deste game: você elimina a mothergunship e continua querendo mais e mais.

Vale citar a preocupação da Terrible Posture Games com acessibilidade: tem opção pra reduzir o enjoo e dá também pra jogar sentado, sendo que a sua esquiva passa a ser feita pelo controle. Acaba ficando mais fácil, pois mesmo que os disparos inimigos não sejam rápidos você tem a vantagem do reflexo mental ser mais eficaz do que o físico.

Quanto à jogabilidade, o game infelizmente não lê seus movimentos além de uma área fixa, utilizando o recurso de mapeamento do seu ambiente. Isso facilitaria a esquiva, porém os devs preferiram limitar tudo ao desempenho do seu gingado robótico dentro de um quadrado invisível. Aliás, confesso que agachar com frequência não é nada fácil. Outro ponto é a mira: tem horas que você a perde de vista e fica difícil de acertar os inimigos, principalmente quando a arma vira um trambolhão.

Mothergunship: Forge
Bullet-hell pra aflorar seu lado John Wick

Até o momento, Mothergunship: Forge foi o melhor VR que joguei em 2022. Embora seja vendido separadamente na loja da Oculus, comprar e jogar pelo Steam VR deve ser ainda mais divertido devido à qualidade gráfica. Mas não se deixe enganar: roda muito bem no Meta Quest 2 (versão que testei), a ponto de impressionar do mesmo jeito. É um game divertidíssimo, cujo a campanha bem humorada (ainda que simplista) e a empolgante trilha sonora jogam sua imersão lá pra cima.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Tá bonito até no Meta Quest 2
  • A manipulação das armas é maravilhosa
  • Super divertido e desafiador
  • Replay garantido

Contras

  • Limitação da área de movimento
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