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Review – My Time at Portia

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MTP BG

O trabalho engrandece o homem, já diziam os antigos, e convenhamos que errados eles não estão errados, afinal de contas ninguém consegue ficar todo dia largado no sofá. Porém existem os famosos workaholics, e mesmo se você se encaixa nesse perfil, My Time at Portia vai cansar até você. O jogo da Pathea Games me prendeu por horas a fio e ainda acredito não ter jogado o tempo necessário para descobrir tudo o que ele pode oferecer.

My Time at Portia é o mais novo game a la Harvest Moon e Stardew Valley, onde podemos transformar as matérias primas ao nosso redor em itens de comodidade para o dia a dia dos personagens. Mas isso tudo exige tempo e disposição por parte do jogador, afinal de contas, como na vida, aqui as coisas levam tempo, sendo mais sobre aproveitar a jornada do que chegar ao final da aventura dessa vez.

Que vida boa

Logo de início, podemos ver que o jogo tempo. A tela de criação do personagem é interessante e permite criar um personagem estilizado, do jeito que você quiser. Após ter criado seu personagem e escolhido suas roupas, é hora de embarcar no colorido mundo de Portia. Chegamos na ilha a barco, encontramos com uma oficina abandonada pelo pai do personagem. Presley, o responsável pela licença de construtor, pedirá ao jogador que crie uma picareta e um machado, após isso podemos começar a aceitar pedidos e botar a mão na massa.

Agora sozinho em uma nova região, é hora de viver as expectativas da população e de seu pai, tornando-se um habilidoso construtor. Nada de caçar monstros – não que você não possa, caso considere uma lhama colorida e fofinha um monstro -, aqui você deve se tornar um homem da sociedade, focando em minerar, caçar artefatos e se relacionar com a população, aumentando sua popularidade e pedidos de construção.

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Um verdadeiro monstro?

O jogo mistura a dinâmica de construção com um sistema de RPG, onde subimos em níveis, utilizamos pontos para melhorar habilidades e aumentar os pontos de constituição do personagem. O jogo não possui uma história que deva ser seguida à risca, mas pode-se notar que o jogo se passa em um futuro onde a raça humana teve de recomeçar, já que é possível encontrar discos de dados que possuem invenções comuns do dia a dia que eram consideradas perdidas.

Subir de nível não é algo extremamente urgente, mas ajuda a aumentar a barra de vida e de energia, e acredite, a barra de energia diminui rapidamente, tendo em vista que você estará sempre cortando madeira, martelando rochas, ou explorando minas atrás de minérios e matérias primas para poder construir todo tipo de coisa. Mas só encontrá-los não será o suficiente. Após receber a sua placa de construtor de Presley, o jogador recebe o livro de instruções que nos foi deixado por nosso pai, e acredite: é extremamente detalhado e trabalhoso.

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Ok cara, já entendemos.

O primeiro pedido oficial que recebemos é uma ponte, necessitando madeira, cobre e corda. Mas não é só juntar a madeira, o cobre bruto e a corda. O jogador deve criar uma forja, uma lixadeira e uma mesa de serra para poder trabalhar a madeira, poder forjar e moldar o cobre respectivamente. Aí sim pode começar a trabalhar na ponte, porém ainda assim é muito confuso encontrar os itens, sendo necessário estar sempre abrindo o livro de anotações.

Na maioria do tempo, o jogador passará por dungeons para minerar e caçar tesouros. Pode acreditar, os dias do jogo irão voar, afinal de contas serão necessárias horas e horas de procura atrás de minérios. Cobre e bronze, os primeiros materiais, só fui encontrar após três dias de busca incessante. Por isso, para mim, a parte principal do jogo já cai por terra, sendo que sequer é possível encontrar alguém que venda as matérias primas na cidade.

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A melhor opção é investir diretamente no nível de stamina.

Mas como não podia parar por aí, continuei avançando pelo jogo. Após um tempo de mineração e trabalho, é possível criar um armazém dentro da sua oficina, assim podendo aproveitar mais do jogo. Conversando com o pessoal da cidade é possível aumentar o nível de amizade, até mesmo com os rivais de trabalho, e também podemos criar um laço amoroso com os outros cidadãos, ter filhos e criar uma família em Portia.

Para aumentar a amizade com os personagens, podemos dar presentes, jogar jogos e até mesmo lutar. Aumentando o nível de afinidade, é possível receber mais pedidos, recompensas maiores e até mesmo mais experiência. Por isso, seja um bom profissional e mantenha a clientela e amigos por perto, afinal de contas uma oficina feliz é uma oficina cheia. Além disso, esteja sempre de olho no estoque e sempre mantenha o estoque de combustível do maquinário completo, para não ser pego desprevenido.

Recompensa tardia

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O jogo permite que uma senhora de idade utilize cinco pintinhos em uma luta. G.O.T.Y?

Apesar de simples, os gráficos de My Time at Portia são convidativos e bonitos. Porém o mundo colorido e cartunesco acaba perdendo seu charme após um tempo, ainda mais com a dificuldade inicial. Sua trilha sonora é bem repetitiva e pouco criativa, o que acaba tirando a imersão, e grande parte da sonoplastia segue o estilo cartunesco, então tudo acaba se tornando um tanto quanto infantil demais.

Para piorar o jogo, ainda não possui localização para o português, então caso o jogador não possua um bom inglês, é possível que em pouco tempo o título se veja juntando poeira. Como se trata de um jogo de construção e coleta de materiais, saber o que procura, onde procurar e como trabalhar é algo essencial. A falta de entendimento pode fazer com que o jogador acabe gastando seu precioso dinheiro em itens de pouca serventia ou em lugares que não façam peso, freando o ritmo do jogo.

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Cyberminerador 2077.

Como em Harvest Moon, o jogo possui um calendário, e nele existem diversos eventos nos quais o jogador poderá participar na cidade. Sejam festivais ou até mesmo competições, nessa época o que importa é se divertir com os costumes desse mundinho virtual. Mas não leve a diversão longe demais, pois é muito fácil gastar todo seu dinheiro nos minigames do jogo, nos quais ganhamos tokens que podem ser trocados por itens, roupas e armas.

O jogo ainda permite que você cace criaturas, tanto por experiência, matéria prima ou por diversão apenas. Já a oficina permite que o jogador crie os mais diversos itens, desde pontes até espadas, mobília e reparos para a casa. Uma vez que tenha mestrado todos os tipos de criação, o que resta é se tornar o melhor construtor da ilha, desvendar o passado e criar uma família. Ou seja, viver uma vida quase real.

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Quase idêntico.

Uma vez que tenha alcançado o passo do jogo, ele realmente se torna interessante. Contudo, o problema está aí: diferente de outros jogos do mesmo estilo, My Time at Portia só entrega a sensação de recompensa muito depois. Quando já temos uma grande oficina, uma grande plantação e animais, a sensação é a de que vale mais a pena aprender uma habilidade na vida real e do que em My Time at Portia.

My Time at Portia possui poucos bugs e glitches, não experienciei nenhum, porém sua curva de aprendizado alta acaba excluindo os jogadores pouco acostumados com jogos do gênero. O jogo demanda muito tempo e se torna repetitivo demais rapidamente, e a falta de localização PT-Br também é um ponto negativo. Por isso, caso tenha tempo e realmente ame jogos desse estilo, My Time at Portia é uma boa escolha, mas caso não tenha tanta paixão pelo gênero, pode acreditar que logo mais ele se tornará mais uma obrigação do que lazer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Mundo colorido e cartunesco
  • Mistura de sistemas interessante
  • Criação de personagem profunda

Contras

  • Falta de localização PT-BR
  • Sistema de criação complicado demais
  • Curva de aprendizado alta
  • Trilha sonora entediante
  • Torna-se maçante após um tempo
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