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Review – Nidhogg 2

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Apesar de marcar presença em eventos de video games desde 2010, o primeiro Nidhogg só foi lançado oficialmente em 2014. Durante esses quatro anos em beta o jogo conseguiu a atenção da mídia e dos jogadores graças ao seu gameplay fluido e balanceado, que resultou em um ótimo competitivo local e fez do jogo uma quase-lenda dos indie games. Quando finalmente lançado ele não decepcionou, tendo sido bem recebido tanto pela crítica especializada quanto pelo público.

O ponto é que o primeiro Nidhogg é definido pelo seu gameplay impecável, e Nidhogg 2 entende isso, sendo notavelmente fiel ao seu antecessor. No jogo original dois players competem para ver quem chega primeiro ao final da fase, um tentando impedir o outro. Mais importante é que os jogadores portam espadas, que podem ser seguradas em três alturas: Alta, média e baixa. Todo hit é fatal. Mas o adversário sempre pode desviar ou te desarmar, deixando você vulnerável ao hit. Quando você morre, o outro jogador fica livre para correr para o seu lado, até você renascer e assim começar mais um combate. Isso gera um gameplay ágil, constantemente tenso e curiosamente análogo à brincadeira de cabo de guerra. Há também algumas mecânicas secundárinas que deixam o combate mais amplo, como chute aéreo, rasteira, arremesso da arma e até a possibilidade de finalizar o inimigo caído de forma surpreendentemente violenta.

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O combate é a estrela do show

E tudo isso está de volta em Nidhogg 2, funcionando quase exatamente como no primeiro jogo. No que diz respeito ao gameplay só houve uma mudança significativa, que é a adição de novas armas. A mais interessante é um arco-e-flecha, que permite finalizar os inimigos a distância, mas cuja flecha pode ser facilmente redirecionada de volta ao arqueiro. Outra, a adaga, permite golpes rápidos em troca de ter que chegar perto demais dos oponentes, ficando bastante vulnerável. Dependendo da arma que você e o seu oponente estão usando o jogo ganha mecânicas diferentes, com os jogadores tendo que se adaptar rapidamente entre um modo de outro. As novas armas são o melhor argumento a favor da sequência, enriquecendo o combate e dando mais variedade ao jogo.

Dando um tchã no visual

Mas apesar de as armas serem a mudança mais importante, não é ela a que mais chama a atenção de início. Quem jogou o primeiro jogo vai se lembrar, provavelmente com carinho, dos visuais simples e coloridos, remanescentes da era Atari. Nidhogg 2 joga isso fora em favor de um look mais cartunizado e grotesco. Os personagens lembram o Homer Simpson e os cenários são cheios de detalhes em um pixel art pseudo-16 bits. O novo visual traz um ponto positivo: Agora é possível, antes de cada partida, customizar o visual dos personagens. Tudo isso acrescenta para um clima mais descontraído, porém muito menos elegante. Leva um tempo para se acostumar.

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O arco é bem útil, mas flechas podem ser mandadas de volta com um único golpe

Um problema do primeiro jogo que persiste é a falta de conteúdo. Entre a “campanha” (uma série de partidas contra bots cada vez menos fáceis, mas nunca realmente desafiadores) e o coop local, depois de meia hora eu já tinha visto tudo que tem para se ver no jogo. Mas pelo menos a sequência tem mais mapas que o original, e eles são bem mais elaborados nela. No primeiro jogo há uma famosa seção em que o chão é coberto por uma grama alta, onde fica difícil ver os movimentos do oponente. A ideia é repetida pelo menos duas vezes aqui. Também foram removidas as infames partes em que você morre ao ficar parado. Agora há mais formas de matar o inimigo usando o ambiente, diversas seções com dois caminhos e outras decisões criativas de level design que abrem espaço para situações de combate bem diversificadas. Essas são adições sutis que melhoram a fórmula Nidhogg, mesmo que não a revolucione.

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Até a própria Nidhogg é mais grotesca no novo visual

Mas é importante falar que nesses trinta minutos não incluo o modo online, que não pude jogar devido a servidores vazios pré-lançamento. Esperamos que haja uma melhora em relação ao online do primeiro jogo que, infelizmente, era instável e abarrotado com lag. A mentalidade competitiva de Nidhogg grita “eSports”, então um componente online robusto vem a calhar. Seguindo nessa direção foi adicionado um modo ranqueado, só resta saber se ele funciona bem.

Em entrevistas com Mark Essen, principal desenvolvedor do primeiro jogo, às vezes era perguntado se ele se preocupava com a ideia de as adições de Nidhogg 2 acabarem com a puzeza do original. Frequentemente ele respondeu dizendo que o primeiro jogo sempre estaria lá, mas agora eu fico na dúvida se essa filosofia foi de fato aplicada no desenvolvimento da sequência. Cada decisão parece calculada para garantir que Nidhogg 2 funcione como um substituto do original, polindo os cantos mas garantindo que a experiência se mantenha intacta. É uma pena que isso venha a custo de uma severa falta de conteúdo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Adições sutis e de bom gosto
  • Mesmo gameplay excelente do antecessor

Contras

  • Falta de conteúdo
  • Pouca evolução da fórmula
  • Ambivalente quanto ao estilo visual
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