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Review – No Heroes Here

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Jogos cooperativos como No Heroes Here frequentemente são sobre superar os mesmos desafios da campanha solo, porém em grupo. Por mais divertido que o coop de New Super Mario Bros. seja, ao invés de facilitar o jogo ele acaba o deixando mais caótico. Isso geralmente é sintoma de um modo multiplayer adicionado com pouca consideração a um jogo pensado para ser singleplayer.

Por outro lado há jogos cujo desafio primário é aprender a ser eficiente como um grupo. Como exemplos temos Overcooked e Lovers in a Dangerous Spacetime. Em ambos cada jogador controla um avatar com todos confinados a um espaço pequeno. Para vencer os jogadores têm que cumprir os objetivos propostos — em Overcooked é gerir uma cozinha, em Lovers é controlar uma nave — e para isso é necessário dominar bem duas habilidades: Comunicação e organização (atenção que essas habilidades formam a fundação de jogos do gênero). Apesar de ambos Overcooked e Lovers serem bem diferentes superficialmente a experiência de jogá-los acaba sendo bem similar, já que ambos exigem as mesmas habilidades aplicadas mais ou menos das mesmas maneiras.

No Heroes Here é tiro e queda

No Heroes Here traz essa fórmula para o seu próprio contexto, no caso ele também é um tower defense medieval. Inimigos atacam seu castelo de ambos os lados, cabe aos jogadores eliminá-los antes que eles inflijam dano o suficiente para derrubarem os portões do castelo. Em cada lado há canhões montados, eles são sua defesa contra os inimigos. Os canhões precisam ser carregados, atirados e limpos antes que se possa usá-los novamente. Cada tipo de munição precisa ser preparado antes, e isso pode envolver vários passos, como refinar o minério para depois transformá-lo em uma bola de canhão. Só depois de ter preparado tanto a bola quanto a pólvora (que é carvão refinado) que o canhão pode ser atirado.

Imagem mosntrando como as munições funcionam em No Heroes Here
Cada canhão exige pólvora e algum tipo de projétil para ser atirado.

Como são sempre diversos passos a serem realizados é essencial que o time aja com eficiência, e é surpreendente o quão difícil isso pode se tornar quando suas defesas estão quase caindo e todo mundo começa a se desesperar. A ideia é que há mais funções para serem cumpridas do que jogadores para cumprí-las, assim evitando que os jogadores fiquem confortáveis em uma única função e obrigando-os a se moverem pelo mapa. Eu não sei se é mais divertido quando está dando tudo certo e você se sente parte de uma engrenagem bem-oleada ou se é quando tudo começa a desabar e um começa a gritar com o outro por puro desespero. Não preciso dizer que, apesar de haver um modo online, o ideal é jogar com os amigos ao seu lado no sofá.

Para agravar você está sempre à mercê do level design — se o desenvolvedor quiser ferrar com você basta colocar dois itens que precisam ser usados em sequência um de cada lado do mapa, fazendo com que a ação mais simples exija um alto nível de coordenação do grupo sempre que se precise dar um tiro. O level design vai ditar como a fase vai fluir, parte do jogo é se adaptar como um grupo a essas mudanças. O problema é quando ele é usado para gerar desafios que não deveriam existir em primeiro lugar, como plataformas que exigem pulos difíceis para serem alcançados sem o jogo nunca ter dado espaço o suficiente para se dominar a física do personagem.

Imagem que mostra o trabalho em equipe de No Heroes Here
A organização é a chave para a eficiência em No Heroes Here.

Pela culatra

Mas enquanto a mecânica central do jogo é funcional e divertida nos primeiros momentos, ao decorrer do jogo fica clara a falta de criatividade, ambição e/ou orçamento da equipe. Os desafios escalam em dificuldade (e como escalam!), mas não são introduzidos elementos que diversifiquem ou que dêem identidade à experiência de forma substancial. Pode parecer injusto reclamar de um jogo pelo que ele não é, mas lembre-se que existem jogos com a mesma proposta de No Heroes Here, mas com execuções muito mais criativas. Por mais que eu tenha me divertido com ele eu não consigo pensar em uma única razão para não jogar Overcooked no lugar.

Mas esse ainda não é o maior problema do jogo. Ele apresenta um modo singleplayer que é simplesmente impossível de ser jogado, já que nele o único jogador controla o mesmo avatar alternadamente e isso, claro, não funciona nem de longe. Assim nos resta os modos cooperativos local e online. O problema é que nas diversas vezes que olhei eu não achei um único player online em nenhum dos servidores. A menos que você tenha amigos para jogar com você (local ou online, local sendo a experiência ideal) passe longe de No Heroes Here.

Imagem sobre as animações excelentes de No Heroes Here
As animações excelentes complementam o visual relativamente genérico.

Assim, No Heroes Here se encontra em uma posição estranha. Ele não precisava existir, já que existem jogos que fazem tudo que ele faz de maneira muito melhor, mas ao mesmo tempo ele não é um ruim, ele cumpre sua proposta sem maiores problemas. O que fazer de um jogo desses? Quais seus méritos? Talvez ele encontre seu público em uma das promoções do Steam, ou em grupos de amigos que já fecharam todos os outros jogos do gênero e ainda querem mais. Se esse último não é o seu caso vou correr o risco de soar repetitivo e sugerir Overcooked uma última vez, ele é realmente excelente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Experiência coop efetiva
  • Ótimas animações

Contras

  • Sem inspiração
  • Sem jogadores online
1 comentário
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Flávio Dechen
3 anos atrás

Francisco, ótima resenha, resume bem o que é No Heroes Here – apesar de que eu daria uma nota melhor. Tenho jogado com meu irmão e um amigo, e nos divertimos muito, aí fiquei curioso para saber quais são esses outros jogos que “fazem tudo que ele faz de uma maneira melhor”, pois o que não pode faltar na minha biblioteca é um bom co-op. Você recomendaria alguns?

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