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Review – Puyo Puyo Tetris 2

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Puyo Puyo Tetris 2 bg

Com pouco alarde, Puyo Puyo Tetris 2 chegou mais como um complemento do que como uma verdadeira continuação do game original. O primeiro é de 2014, e como era outra época, o game ficou restrito ao Japão até meados de 2017, quando as versões de Switch e PS4 chegaram ao ocidente juntamente com a primeira aparição do game nos PCs com Windows via Steam. Para os jogadores de Xbox One, 3DS, Wii U, PS Vita e PS3, só restou lamentar, pois nesses consoles o game só saiu no Japão mesmo.

Como o nome sugere, trata-se de uma boa mistura de dois dos jogos de puzzle mais adorados de todos os tempos – e só para contextualizar, Puyo Puyo é aquele game em que descem da parte de cima da tela duas bolotas coloridas de cada vez, que somem após os o jogador combinar quatro ou mais delas da mesma cor. É um game muito, mas muito popular no Japão, com versões para arcade e para basicamente todos os consoles e portáteis que já existiram, mas que demorou um bocado para ganhar popularidade fora do arquipélago asiático.

Não à toa, as primeiras versões ocidentais de Puyo Puyo em consoles saíram com personagens e historinhas diferentes da japonesas – no Mega Drive, o primeiro Puyo Puyo lançado fora do Japão recebeu o título de Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine, de 1993, enquanto que o Super Nintendo teve Kirby’s Avalanche, em 1995.

Aperte Start para pular…

A exemplo de toda a série, Puyo Puyo Puyo Tetris 2 possui uma trama, mas que é bem fraquinha. Basicamente, uma jogadora de Puyo Puyo está entediada quando, literalmente, cai do céu um jogador de Tetris e eles resolvem se enfrentar, cada um na sua modalidade. Existe um papo deles já terem se encontrado antes, muito em função de basicamente a mesma trama ter sido contada no primeiro Puyo Puyo Tetris.

Imagem do jogo Puyo Puyo Tetris 2
Diálogos profundos, para quem tiver paciência para eles.

Só que os diálogos são tristes de tão entediantes e… longos, demasiadamente longos, e com personagens monótonos, que geralmente não falam nada com nada até o ponto em que resolvem se enfrentar numa partida. Um trunfo do game é que é possível apertar Start para pular todos os diálogos e seguir para o game, que é mesmo onde Puyo Puyo Tetris 2 brilha de verdade.

Existe um modo de história para um jogador (o modo Adventure), e em cada fase são apresentados desafios diferentes – em uma fase você joga Tetris contra um adversário artificial que também joga Tetris, e em outra você joga Puyo Puyo contra Tetris, por exemplo, além de variações como batalhas em que os jogadores possuem barras de energia, e você tira mais energia dele conforme vai fazendo pontuações altas, com a possibilidade de utilização de poderes no meio do jogo, como recuperação de energia e um outro que elimina as primeiras linhas não-eliminadas da sua tela. Este último modo, por sinal, é um dos que não havia no Puyo Puyo Tetris original.

O modo Fusion, em que Puyos e Tetriminos caem juntos na mesma tela, continua existindo, além do sempre divertido Swap (que vai trocando sua tela de Puyo Puyo por uma de Tetris e vice-versa no meio da partida, e que é o meu favorito). Quem se interessar mais por alguma dessas variações no modo história pode simplesmente acessar o modo Solo e rejogar qualquer uma delas.

Imagem do jogo Puyo Puyo Tetris 2
Visualmente, Puyo Puyo Tetris 2 é praticamente igual à versão de 2014.

Para quem não tem muita familiaridade com Puyo Puyo ou Tetris, o modo Lessons oferece tutoriais interativos bem legais. Por fim, existe um modo online, com partidas rankeadas e tudo mais. Infelizmente, a interface do modo online é pouco intituitiva e você até demora um pouco até conseguir começar a procurar uma partida.

Dificuldade na medida, DualSense nem tanto

É bom lembrar que Puyo Puyo Tetris 2 possui uma espécie de inteligência artificial que vai se moldando à habilidade do jogador. Isso diminui a frustração nas fases mais difíceis, ao mesmo tempo que a dificuldade vai sim aumentando a cada fase. É um formato interessante e permite ir melhorando suas habilidades sem ficar com tanta vontade de atirar o controle na parede. Lembrando que a opção pode ser desligada a qualquer momento pelo menu, então os mais saudosistas não precisam se preocupar.

Imagem do jogo Puyo Puyo Tetris 2
O modo Adventure segue a linha da versão original, em fases.

Pulando os diálogos no meio das fases, a boa nova no PS5 (que foi a versão testada para este review) é a ausência total de telas de loading. Tudo bem, é um jogo de quebra-cabeça, e é bem leve, mas não deixa de ser bem impressionante o fato de simplesmente não haver nada de loading durante o jogo todo. É o tipo de melhoria de qualidade de vida que é muito bem vinda nessa geração, e é um deleite passar fase por fase do modo Aventura de Puyo Puyo Tetris 2 sem o menor tempo para parar e ver as notificações do seu smartphone. É algo que evoca mesmo os tempos dos jogos em cartucho ou os arcades.

Jogos como Demon’s Souls e, claro, Astro’s Playroom aproveitam os recursos do DualSense de formas muito criativas, mas a implementação em Puyo Puyo Tetris 2 é no mínimo desastrosa. O controle vibra forte toda vez que seus puyos ou tetriminos encostam nos já estão posicionados e…só. Só existe esse tipo de vibração. Desative isso antes de começar a jogar, porque eu mesmo não consegui sequer terminar uma partida inteira com isso ligado.

Por falar em novidades do PS5, os cartões de atividades (aqueles que pulam certas partes do jogo e te levam direto para fases ou objetivos específicos) também possuem funcionalidade limitada aqui, apenas levando o jogador diretamente para certos modos online ou para a fase atual do modo história. Era esperado que jogos da janela de lançamento realmente não aproveitassem bem os recursos, mas vendo como outras third-parties têm aproveitado tais funcionalidades, a sensação é de uma implementação um tanto quanto preguiçosa por parte da Sega.

Imagem do jogo Puyo Puyo Tetris 2
O modo Fusion combina Tetris e Puyo Puyo na mesma partida.

Ainda no campo das características, digamos, sensoriais, Puyo Puyo Tetris 2 ainda fica atrás do fantástico Tetris Effect: Connected no campo visual. Tá certo, Puyo Puyo é feito para ter um visual simples e colorido mesmo, sem grandes firulas, mas depois de Tetris Effect: Connected, dá para pensar que a Sega poderia ter dado uma caprichada maior nesses efeitos ou mesmo oferecer opções de fundos de tela, visualizações (que seriam mais ou menos como temas diferentes para as fases), zoom e outras coisas.

Seu Puyo Puyo definitivo

Puyo Puyo Tetris 2 parece “menos” uma continuação e mais uma tentativa de dar uma segunda chance ao pouco falado Puyo Puyo Tetris original. Tudo que aquele game tinha de bom está aqui, e com a boa e muito bem vinda adição do modo de batalha. Os modos online estão aqui, mas no momento da avaliação não foi possível achar uma partida online sequer – algo que acontecia com certa frequência também no velho Puyo Puyo Tetris. De qualquer forma, Puyo Puyo Tetris 2 tem preço mais baixo que os títulos Triplo-A, tem conteúdo suficiente para algumas boas dezenas de horas de diversão sozinho ou com amigos no mesmo console e é, de fato, a versão definitiva de Puyo Puyo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Modo de batalha é muito bem vindo
  • A dificuldade “adaptativa” irá agradar os novatos
  • Sem telas de loading

Contras

  • Diálogos maçantes e história pífia
  • Quase tudo já existia no Puyo Puyo Tetris original
  • Não aproveita nada do Dual Sense e nem dos cartões de atividade
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