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Review – Rise & Shine

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Rise & Shine, da produtora Super Awesome Hyper Dimensional Mega Team, é uma destas gratas surpresas entre os jogos independentes lançados em janeiro. Antes de assistir a um trailer fenomenal, eu nem sabia da existência do game ou mesmo da produtora, que possui outros dois jogos no currículo (Supermagical e Pro Zombie Soccer) e é formato por pessoas que desenvolveram Plants vs Zombies e Worms. Diferente dos games anteriores, Rise & Shine é uma produção mais caprichada e ambiciosa.

Uma aventura brilhante

Não se deixe enganar pelo visual infantil de Rise & Shine, pois o game é violento e extremamente desafiador. Rise é o nome de um garotinho que se encontra em meio a uma invasão repentina no planeta Gameearth. Os invasores são referenciados como “Grunhidos Espaciais”, sendo Nextgen o nome do planeta de origem deles – uma piada com o planeta do protagonista, dominado por jogos retrô. Na abertura, durante um ataque no shopping, Rise é salvo por um guerreiro lendário. Ferido, ele lhe entrega uma poderosa arma chamada Shine, que tem vida própria. E assim é formada a dupla do título.

Resolvendo quebra-cabeças na base do tiro
Resolvendo quebra-cabeças na base do tiro.

O jogo mistura o gênero de plataforma com quebra-cabeças e faz uso de ideias existentes para criar uma jogabilidade única. Além de atirar, ter pulo duplo e uma corrida rápida (dash), Rise pode se proteger em coberturas no estilo Gears of War. Mas a criatividade toma forma com o “RC Add-On”: ao pegar esse upgrade, Rise pode ativá-lo para disparar e controlar o projétil livremente por campos circulares. É com esta mecânica que o jogador resolve os quebra-cabeças do game, como abrir passagens, ativar mecanismos e eliminar certos inimigos. O efeito permite também potencializar a velocidade do tiro em um ângulo, para causar maior dano. Além do tiro comum, há também uma munição elétrica para usar em máquinas e contra robôs. Outros Add-Ons encontrados pela aventura permitem criar, por exemplo, explosivos (arremessados usando parábolas).

A trama do game é bem simples e direta: após encontrar sua mãe em uma estação de metrô transformada em abrigo, Rise parte em uma longa jornada para salvar o pai desaparecido. Diante de tantos perigos, Shine é a sua única salvação. Dominá-la leva tempo, já que você precisa recarregar a munição em plena ação e usar o tipo de munição correto na hora certa. Pode soar como uma dica besta, mas acredite: o jogo é implacável com os erros do jogador. Rise possui barra de energia, sua vida é infinita e os checkpoints são próximos um do outro, e mesmo assim o jogo é difícil.

O primeiro chefe do game possui level 999
O primeiro chefe do game possui level 999.

Olha, uma homenagem! E outra ali…

Sabe o tal guerreiro lendário que citei no início da análise? Trata-se de uma homenagem ao Link (The Legend of Zelda). Ao longo da campanha você verá referências à muitos jogos: Space Invaders, Flappy Bird, Pac-Man, Kingdom Hearts, Kid Icarus, Metal Gear Solid, Duck Hunt, The Binding of Isaac, Half-Life, Super Mario Bros., Fantasy Zone, Mega Man, Metroid…

Rola uma homenagem mais legal que a outra, sendo que algumas são apresentadas como detalhes do cenário, personagens ou piadinhas. O humor do game brinca também com vários elementos tradicionais, como a introdução com tutorial, a presença manjada de zumbis como inimigos e as conversas malucas com NPC (Personagens Não Controláveis).

Super Nintendo e Mario? Sim, estas referências não poderiam faltar em meio a tantas outras
Super Nintendo e Mario? Sim, estas referências não poderiam faltar.

Uma coisa que me agradou bastante é que, quando você menos espera, o jogo se transforma em outro. Há uma fase na qual você controla um barco flutuante, no melhor estilo “jogo de navinha” (shmup, para os íntimos). E logo após esse trecho, você chega à uma ilha com três mini games para vencer o placar e ganhar recompensas: um de tiro ao alvo, um de basquete (com explosivos) e outro que você deve desviar de disparos controlando seu projétil no ar.

O jogo é incrível em vários aspectos: a jogabilidade é precisa, os inimigos são variados e com pontos fracos diferentes, tem chefes gigantes, quebra-cabeças criativos para resolver e uma dificuldade bastante elevada. Não há dúvidas de que o game foi feito para os jogadores adultos e mais experientes. Agora se você não for bom em plataforma, basta ter paciência. Assim como em Dark Souls, morrer faz parte do aprendizado. E muitos dos desafios não exigem reflexos rápidos mas sim memorização, já que ao morrer você ressuscita enfrentando a mesma sequência de inimigos.

Inimigos com escudo são os mais pentelhos do game
Inimigos com escudo são os mais pentelhos do game.

O visual de Rise & Shine é um espetáculo à parte. O garoto, os cenários e os inimigos são todos pintados no estilo cartoon, com animações bastante caprichadas. Até as mortes, que ocorrem de várias formas sangrentas, são bem impressionantes. Porém em alguns momentos o excesso de cores atrapalha a visibilidade. Quando há muitos inimigos na tela é comum você perder a noção da mira (mesmo com o ponteiro laser), ficando suscetível à erros. E isso é um saco, principalmente quando os inimigos são aqueles que te matam com um único golpe.

Rise & Shine é praticamente um Rayman Legends de tiro. O visual e dificuldade, inclusive, são semelhantes ao game da Ubisoft Montpellier. Eu não joguei nada parecido e fiquei extremamente grato com esta surpresa logo no início do ano. Que venham mais jogos assim pelas mãos da Super Awesome Hyper Dimensional Mega Team, que só pelo nome já ganhou meu respeito.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Ótima mistura de gêneros e ideias
  • Muitas homenagens pra ficar de olho
  • Quebra-cabeças bem bolados
  • A trilha sonora é muito boa

Contras

  • Às vezes a dificuldade é injusta
  • O excesso de cores atrapalha a visibilidade
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