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Review – Rise: Race The Future

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Imagem do jogo Rise: Race The Future

Desenvolvido pela VD-DEV, estúdio especializado em ports de jogos de corrida para plataformas portáteis – especificamente da Nintendo -, posso resumir Rise: Race The Future como uma mistura de Ridge Racer com Sonic & All-Stars Racing Transformed e uma pitada de Wipeout no visual. Seu grande chamariz são os veículos futuristas que se transformam e podem andar sobre a água. Durante as corridas, em determinados circuitos, irão existir trechos de água sobre os quais os veículos irão se modificar, com as rodas virando rotores e assim fazendo-os flutuar sobre ela.

De cara, vemos um jogo com aparência simples, menus sem muitos efeitos, telas de loading e apresentação sem firulas. Mas apesar dessa simplicidade, os desenvolvedores capricharam onde realmente importa, no gameplay, com diversas variações de circuitos, cada um com seu trajeto desafiador – e curvas traiçoeiras -, seja em terra ou na água. Os circuitos são bem variados, tanto no traçado quanto em sua ambientação e terrenos.

Todos os circuitos são divididos por mundos, e cada um deles apresenta dentro de si diversos trajetos, variando entre circuitos fáceis, intermediários e desafiadores. Sendo que essa diferença também afeta o comprimento dos circuitos, de curto a longo, respectivamente. Passando por diversos terrenos, condições climáticas, curvas fechadas e longas retas, a variedade realmente é grande.

Correndo para o futuro

Apesar de ser um jogo arcade, Rise: Race The Future exige perícia do jogador, principalmente no que diz respeito a fazer o traçado perfeito. Nesse sentido, o jogo apresenta um alto nível de detalhes, e cada condição climática, cada tipo de terreno e cada veículo influencia no comportamento da direção.

Para aprimorar ainda mais isso, nós podemos configurar de maneira detalhada a resposta dos comandos dentro das opções do jogo, tais como a velocidade de resposta ao executar algum comando, a sensibilidade dos comandos individualmente, e até mesmo a “zona morta” (dead zone) para maior precisão do analógico. Além disso, podemos ativar ou desativar o “Auto Brake”, ou seja a ação do jogo frear automaticamente nas curvas, caso assim deseje.

Imagem do jogo Rise: Race The Future
Nem a água pode nos parar.

Outro detalhe nesse sentido é o sistema único de boost, no qual podemos selecionar o modo como ele será recarregado. Existem três modos, o primeiro por velocidade, ou seja, acelerando a uma velocidade acima de 125 km/h a nossa barra de nitro começa a carregar. O segundo, recarregando ao executarmos drift. E o terceiro fornecendo três barras de boost por volta, mais uma carga no início da corrida. Esse sistema é interessante pelo fato do jogador ter a oportunidade fazer essa escolha mediante o nível de habilidade em executar tais ações.

Podemos também alterar a visualização da câmera. Isso chama a atenção, pois boa parte dos jogos de corrida arcade normalmente não possuem essa opção, se fixando apenas na visão por detrás do veículo. Aqui temos disponíveis cinco possibilidades de visualização, desde a câmera na parte frontal do veículo, a visão do capô e mais três níveis de distância por detrás do veículo. Infelizmente, para os amantes de jogos de simulação, não temos uma visão do cockpit.

As especificações de cada veículo também fazem diferença no gameplay – atribuídas as condições mencionadas anteriormente. Um veículo com mais estabilidade e controle será melhor nas curvas, enquanto um veículo com mais aceleração terá vantagem nas retas. Tudo isso realmente é sentido em jogo, e utilizar cada um dos 10 veículos disponíveis terá uma resposta diferente nas corridas.

Design arrojado

Também temos a possibilidade de personalizar nossas máquinas, mas nada muito profundo, se resumindo à cor e ao decalque dos mesmos. Para desbloquear novos decalques e veículos, temos que completar determinados desafios no modo Challenge, sendo que para os veículos precisamos completar as sessões de desafios. Todos os carros tem o design assinado pelo renomado designer automobilístico Anthony Jannarelly, especializado em veículos com linhas agressivas e futuristas.

Imagem do jogo Rise: Race The Future
Um autêntico Jannarelly.

Existem três modos de gameplay, o Challenge, o Championship e o Time Attack. No primeiro – como o nome sugere – temos que superar desafios diversos em cada evento, que variam entre terminar em uma determinada posição, bater o melhor tempo em corrida, vencer um oponente específico e por aí vai. Cada um destes desafios nos fornecem pontos e fãs para avançarmos de sessão, e a cada sessão a dificuldade dos desafios aumenta – tornando-se bastante desafiador, diga-se de passagem. Há um total de 64 eventos.

No segundo modo, temos os campeonatos, cada um deles com um número específico de corridas para vencermos, nada muito diferente do que já vemos em outros títulos do gênero, apresentando 8 campeonatos que totalizam 64 corridas. E, por fim, o modo Time Attack, que nada mais é do que concluir cada circuito no melhor tempo possível – com direito a fantasma do tempo alvo.

Para cada modo, nós podemos escolher a dificuldade na qual queremos jogar, podendo deixar o jogo mais desafiador ou mais fácil, a nosso bel-prazer. Para os jogadores veteranos no gênero, recomendo começar no Pro ou ir diretamente ao Legend sem problemas, para ter mais desafio.

Imagem do jogo Rise: Race The Future
Roda a roda, para-lama a para-lama, essa é a disputa.

Uma característica notável do jogo são seus visuais. De fato muito caprichados e detalhados, nos veículos e principalmente nos cenários. São ambientes variados e bem construídos, com a iluminação e a água realmente belos. Quando estamos passando por um trecho aquático (ou durante a chuva), os respingos de água são jogados na tela, e em trechos de terra o veículo começa a ficar sujo com a poeira. Porém não existe um sistema de dano nos veículos, algo que seria interessante mesmo que fosse somente visual, sem necessariamente afetar na direção.

Parecem detalhes supérfluos, mas realmente me surpreende ver o nível de detalhe que os desenvolvedores se preocuparam em colocar – lembrando que este é um jogo de um estúdio independente. Isso é ainda mais perceptível nas diferentes condições climáticas que são apresentadas, como um dia ensolarado, no pôr do sol, na chuva, na neve ou até mesmo na neblina. Todos os circuitos possuem estas alterações, que agregam à variedade do gameplay.

Nem tudo são rodas

Algo que senti falta na versão de Switch foi o uso do HD Rumble. Isso realmente incrementaria no conjunto do jogo, com uma resposta tátil ao que estamos visualizando no gameplay, seja passando por um trecho irregular ou (principalmente) na água, até mesmo quando colidimos com algo.

Imagem do jogo Rise: Race The Future
Vistas deslumbrantes.

Um ponto que eu considero crítico em um jogo de corrida é a falta de multiplayer, principalmente por se tratar de um jogo arcade e por estar em uma plataforma como o Switch. A presença do multiplayer em jogos do gênero é imprescindível, seja local ou online. E Rise: Race the Future tem todo um conjunto que combinaria muito com isso.

Já os loadings são um pouco chatos, particularmente quando precisamos reiniciar uma corrida, pois o reinício não é instantâneo como vemos em outros jogos, precisando carregar novamente para isso. Pior é quando queremos refazer uma corrida/desafio após concluí-lo: já que não existe essa opção após o término do evento, precisamos obrigatoriamente voltar ao menu inicial do evento, e então novamente selecioná-lo, escolher o veículo e aí sim entrar na corrida. Nessa brincadeira, já passamos por três telas de loading, quando simplesmente poderia haver um botão de “restart” no menu pós-corrida.

Outro ponto que poderia ter sido melhor é a trilha sonora, que não é necessariamente ruim e apresenta boas músicas originais. O grande porém é que são um tanto quanto cansativas, não sendo tão agradáveis de ouvir quanto na grande maioria dos jogos do gênero. E apesar de ser um jogo relativamente simples, sem mistério para aqueles que já estão habituados ao gênero, senti falta de um tutorial. Não necessariamente para explicar os comandos e funções básicas, mas sim alguns elementos únicos do gameplay, como a execução de manobras ou o que são os pontos do modo Challenge, por exemplo.

Imagem do jogo Rise: Race The Future
Desertos escaldantes e motores ferventes.

Contudo, com visuais bonitos, carros futuristas e corridas em ambientes dos mais variados, Rise: Race The Future é uma ótima pedida para os jogadores que curtem o gênero. Especialmente para aqueles que querem um jogo de corrida um pouco mais realista na plataforma da Nintendo, que carece de títulos de qualidade nessa categoria específica. Nessa premissa, os desenvolvedores na VD-DEV realmente capricharam nos detalhes e o gameplay flui muito bem no Switch.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Variedade de circuitos e terrenos
  • Comportamento único de cada veículo
  • Modos de jogo distintos
  • Visual caprichado
  • Configurações de comando detalhadas

Contras

  • Não utiliza o HD Rumble no Switch
  • Não possui multiplayer
  • Muitos loadings
  • Falta de tutoriais específicos
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