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Review – Sekiro: Shadows Die Twice

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Sekiro

Independente do que você espera, nada até hoje te preparou o suficiente para enfrentar a jornada de Sekiro: Shadows Die Twice. O game mais recente da desenvolvedora From Software e distribuído pela Activision tinha apenas um objetivo: revitalizar o subgênero iniciado por Demon’s Souls e tornar essa aventura marcante aos jogadores. Junto ao Lobo, sua saga não será nada simples e apenas o trabalho em conjunto de jogador/personagem vai abrir caminho entre os perigos que encontrará.

Quando digo que não é nada simples, não vá acreditando que por ter jogado os jogos anteriores da empresa sua vida será tranquila. Bloodborne, Dark Souls e até mesmo o Demon’s Souls podem ter sido “complicados”, mas Sekiro vai te desafiar ainda mais. Não digo isso apenas pelos bosses ou pelos inimigos. Aprimorando o que os anteriores tinham de melhor, incluindo dificuldade e narrativa, seu maior problema será vencer a si mesmo, a cada momento e a cada luta.

A obscuridade de um ninja

Para situar quem chegou aqui desavisado, a história se passa no Japão em seu período Sengoku, entre os séculos XV e XVI. Foi uma das épocas mais conturbadas do país, preenchida de guerras e de clãs tentando dar um golpe de Estado para dominarem o país. Adotado por um guerreiro veterano conhecido como O Coruja, você é criado como O Lobo, um shinobi treinado para proteger seu mestre, nem que isso custe sua própria vida. Dentro do caótico território de Ashina, nosso protagonista falha em sua missão de guardar o Herdeiro Divino Kuro, que é sequestrado, e tentará de todas as formas recuperar sua honra e resgatar o rapaz levado pelos inimigos.

A ambientação japonesa é um dos principais elementos de Sekiro: Shadows Die Twice. Tanto que, a princípio, o idioma padrão para o áudio do game é o japonês. Progredindo por Ashina, você terá uma grande imersão na beleza do país, tanto pela natureza quanto pelas referências culturais vistas em todas construções e residências. As vestimentas dos ninjas, samurais, camponeses e até mesmo as aparições de criaturas folclóricas saltarão aos olhos. É incrível ver toda a cultura de uma era tão bem recriada na atual geração, e para quem sentia falta da temática em games é um prato cheio. Dito isso, confesso ter sentido falta de um modo foto para o game, o qual espero ser integrado nas próximas atualizações.

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Um modo foto em Sekiro teria feito bastante diferença.

Porém, um cenário tão vivo e montado cuidadosamente está preenchido de inimigos e monstros inóspitos. Você tem um imenso contraste entre a beleza com os perigos medonhos, ambos caminhando lado-a-lado. Como disse anteriormente, não espere facilidade para vencê-los. A From Software deu uma caprichada na dificuldade e, independente do trecho que esteja, o guardinha mais simples pode te matar num piscar de olhos. Mesmo contra os chefões, nada impede de um oponente que você ignorou pelo caminho ou deixou vivo intervir, seja em ataques diretos ou usando flechas, te dando ainda mais trabalho nos confrontos. Você nunca está a salvo, em situação alguma.

Por experiência própria, posso afirmar que aprendi isso em Sekiro da pior forma. Após um combate intenso com um chefe difícil, cheguei na área seguinte, usei o checkpoint e deixei o controle em cima da mesa para pegar uma bolacha e respirar por um segundo. Enquanto aproveitava o doce, um grito estrondoso saiu da TV e, quando olhei…não tinha mais o que fazer. A tela tremendo, tudo sacudindo e uma serpente gigante já com as presas a centímetros do Lobo. Infelizmente não é do tipo de game que se possa jogar comendo tranqueiras, para o meu azar – porém, diferente dos games anteriores da From Software, há desta vez a opção de pausa. Pequei em não usá-la, mas quem nunca, não é?

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A serpente aparece quando você menos espera.

Lutar é importante, agir nas trevas também

O melhor ponto de Sekiro é que tudo depende quase que exclusivamente de você. Tanto para enfrentar a ralé de inimigos quanto para os imponentes chefões, todos podem ser vencidos equilibrando bem os elementos que compõem o combate do jogo. Não basta apenas usar a sua lâmina, Kusabimaru, ou tentar as ferramentas shinobi de seu braço prostético e outros itens. A combinação dos três é essencial. Apertar o botão certo, na distância certa e na sequência exata pode se mostrar a grande diferença entre a morte certa e a vitória épica. Para matar um inimigo com estilo, você deve quebrar sua postura (defesa) repelindo seus ataques com a espada em momentos precisos, e com essa postura quebrada há abertura para um último golpe mortal.

Mas não acredite que vai se garantir em apenas estes três segmentos. Pulos, pulos duplos, gancho, defesa, corrida, agachamentos e ataque carregado também são importantíssimos. Além deles, conforme enfrenta inimigos, você ganha pontos de experiência que podem ser trocados por técnicas especiais. Essas habilidades podem ser desde contra-ataques específicos contra certas armas quanto dons passivos para facilitar um pouco sua gameplay. Também vale lembrar que é um sistema lento de se obter, então adquira sempre o que mais precisa e não o que achar mais bacana.  É um erro comum e que vai te manter empacado por algumas horas para vencer os próximos desafios.

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A chave do combate é eliminar o inimigo sofrendo o menor dano possível.

Além disso, nem tudo é combate direto. As lutas são muito importantes, mas não se esqueça que você é um shinobi. Caso não conheça a linhagem, não são nada parecidos com Naruto e sua turma. São guerreiros que agem pelas sombras, que matam escondido e que são verdadeiras lendas vivas. Você não os vê, apenas tenta consertar o estrago que deixaram. Em Sekiro, você pode se esgueirar em penhascos, telhados, nas paredes e passar por trechos completos sem ser visto. Aliado a isso, mais de um caminho te levará aos seus objetivos. As áreas são enormes, cheias de coisas escondidas e com a ampla possibilidade de traçar uma rota própria para chegar onde precisa.

Caminho para a morte

No início. Sekiro pode parecer um jogo linear, mas os primeiros cenários são apenas um prólogo para o imenso mapa que se abre depois. Nele, você tem liberdade para decidir o que é melhor para sua jornada. Há caminhos onde você pode encontrar vários itens, outros cheios de inimigos pela área, alguns você pode encontrar até mesmo um chefe secreto e enfrentar uma batalha que você não estava nem fisicamente ou psicologicamente preparado. Se aceita um conselho, sempre se prepare para todas essas opções. Sekiro é um jogo que não tem mapas, então, há apenas o caminho e você seguirá por onde achar mais conveniente, o que te estimula a observar seus arredores ainda mais do que os títulos anteriores.

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Por onde passar, sempre haverão pilhas de corpos.

Durante a narrativa, certos NPCs te darão também itens que podem conter memórias antigas do Lobo. Isso funciona como uma forma de mostrar o background do personagem, mandando você de forma jogável no passado dele e revisitando eventos já com o braço prostético. Expandindo o conceito de viagem no tempo, nestes existem uma série de perigos e circunstâncias diferentes do game principal, incluindo chefões. Essas áreas podem ser visitadas a qualquer momento depois de liberadas, sendo alternadas nas estátuas de Ídolo de Escultor espalhadas pelo game.

As grandes estrelas de Sekiro: Shadows Die Twice são os chefes. São vários espalhados pelo gigantesco mapa e cada um deles é memorável da sua forma. Por bem ou por mal, são neles que você passará a maior parte do seu tempo. Antes de chegar até eles, você pode usar o modo stealth para ouvir soldados ou camponeses falando dos oponentes e ter um pequeno spoiler do que te espera. Você pode notar a diferença deles para os inimigos comuns pela barra de HP, que geralmente possui uma esfera ou duas vermelhas em cima dela. Isso indica quantas vidas ele tem e, consequentemente, se você passará mais ou menos tempo nele. No caso de diversos subchefes, uma dessas barras pode ser tirada através do ataque stealth, mas chefes maiores não te dão o luxo.

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O modo stealth nem sempre te salvará das lutas contra chefões.

Sendo um show a parte, alguns deles marcarão sua experiência de algum modo. No meu caso, por exemplo, poderia citar o subchefe Ogro Acorrentado. Com o perdão da palavra, esse desgraçado, na décima-segunda vez que eu o enfrentava, usou o agarrão, tirou 90% do meu HP e me jogou para trás. Geralmente isso servia para preparar um ataque para logo que eu levantasse. Neste golpe, porém, eu fui jogado no abismo que existia ao lado do templo e morri instantaneamente. Pensei em xingá-lo, como das outras 11 vezes, mas tudo que me restou foi uma gargalhada diante do absurdo.

Outra informação essencial referente a eles é que sempre há mais de uma forma de derrotá-los. Novamente, agir pelo modo furtivo talvez arranque instantaneamente uma das duas vidas caso seja um subchefe. Porém, isso pode não ser conveniente se considerar a quantidade de inimigos que estão juntos ao redor ou o espaço da arena. Outro exemplo que posso citar é a Senhora Borboleta, que possui uma área gigantesca e ela o aguarda de frente. Não há stealth que possa vencê-la aqui. Ela é rápida, graciosa, feroz, e usa truques de ilusão. Como derrubar uma oponente assim? Há mais de um modo, só cabe a você encontrar a tática mais eficaz entre a segurança e o risco.

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A Senhora Borboleta é mortal e pode te eliminar rapidamente.

Sombras morrem mais do que duas vezes

Se você apenas começou o jogo, enfrentou um ou dois inimigos e morreu, não se preocupe, pois vai morrer algumas centenas de vezes. Não é exagero, acredite. Mais ainda que os demais jogos da From Software, porém, este traz consequências mais sérias para o universo ao seu redor. Morrendo, primeiro você perde metade do seu dinheiro total e parte da sua experiência acumulada. Além disso, com as mortes, você retorna para os últimos pontos de checkpoint. Dependendo do trecho, a distância de onde estava pode ser enorme – embora o gancho do braço prostético ajude muito na locomoção.

Não satisfeita só com essas perdas de dinheiro e XP, a From Software quer que você perca mais. Em segundo lugar, existe uma doença chamada Praga do Dragão. Com um certo número de mortes, ela se espalha e afeta certos NPCs na narrativa e no mundo, impedindo-nos de acessar as missões paralelas que oferecem e diminuindo a chance de recuperar nossos suados dinheiro e experiência após morrer com o Auxílio Oculto, que de início te dá 30% de chance de recuperação e depois diminui a porcentagem com as mortes sucessivas.

Para curar a praga, o Lobo deve coletar uma Gota de Sangue de Dragão, um item raro. Preenchendo os requisitos e aplicando a gota junto de um ídolo / checkpoint, todos os afetados serão curados, mas é bom estar atento que a continuidade de mortes pode fazê-la retornar – e a gota de sangue torna-se mais escassa no mundo, sendo encontrada em seletos mercadores.

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A morte leva metade do seu dinheiro e parte do XP embora, então morra o mínimo que puder.

Como se percebe, Sekiro: Shadows Die Twice é um game que te penaliza de forma dura. Se tiver um pouco de sorte, nem tanto. Mas, sendo sincero, em momento algum senti que era algo impossível ou que fosse trapaceiro. Até mesmo quando sofria um golpe e via o símbolo da morte em tela, sabia que na próxima o oponente não teria tanta facilidade assim. Se tentar mais, se melhorar os atributos, conseguir itens que ajudem, é possível vencer os desafios propostos. Ele pode ter uma dificuldade absurda, mas é mais desafiador do que impedidor. Você xinga, reclama, olha pro controle, pra tela e diz “me dá mais um round com ele que pelo menos acabo com uma das vidas agora”.

Também devo confessar que o nome do jogo pode te enganar. Normalmente, você pode morrer uma vez e, na segunda, você perde. Porém existe uma terceira chance para enfrentar o desafio, com uma opção adicional de ressurreição. Essa nova chance é preenchida com finalizações executadas nos inimigos, então quanto mais estilo na matança após o uso da primeira ressurreição, mais chances você terá de garantir outra vida e ser bem-sucedido nos confrontos mais sérios. Mas use essa chance com sabedoria, pois morrer logo após ressuscitar acelera o avanço da praga ainda mais do que as mortes convencionais.

Um jogo dessa magnitude não seria nada sem ter personagens marcantes ao redor do Lobo. O Escultor é quem coloca a prótese shinobi no braço do herói e faz os serviços de encaixar ferramentas prostéticas nele, permitindo melhorá-las com uma árvore de habilidades. Também temos Emma, a médica, que te dá a Cabaça Curativa, responsável por ser o principal fator de cura que usará pelo game e também cuida da Praga do Dragão quando aparece. Henbai, o Imortal é o mais divertido. Ele é o tutorial vivo de combate do game, e você pode ir sempre falar com ele e treinar combate e técnicas diferentes. Vá lá quantas vezes forem necessárias, treinar é muito importante e aproveite o fato dele não morrer para testar várias táticas distintas e brutais.

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No Templo Dilapidado, o jogador pode encontrar o Escultor, Emma e Henbai.

Todos esses três NPCs ficam no Templo Dilapidado, um dos locais mais importantes do game. Lá também que você tem o primeiro contato com o Ídolo do Escultor, o artefato que você mais verá no decorrer da história e o que você mais vai esperar após combates difíceis. Além dele te curar, encher toda a Cabaça Curativa e funcionar como checkpoint, nele também pode comprar mais brasões espirituais para usar suas ferramentas, utilizar as viagens rápidas, pontos de experiência para adquirir habilidades e usar itens especiais para aprimorar atributos físicos e de ataques.

A escuridão esconde mais do que aparenta

Os gráficos do jogo são ótimos, mas nada que impressione muito. Além disso, Sekiro: Shadows Die Twice pode ser um excelente título, mas não está livre de algumas falhas. Quando você está com muitos inimigos e muita coisa acontecendo em tela, pequenas engasgadas podem ocorrer. A câmera também atrapalha. Caso você esteja próximo a uma parede, pedra ou em ambientes fechados e for atacado, haverão momentos nos quais não conseguirá enxergar o Lobo e talvez nem mesmo o inimigo na tela. Isso chega a frustrar e, após uma morte por conta isso, você tentará outro posicionamento na próxima rodada. Fora isso, é recorrente a ocasião de bater e travar contra objetos de cenário durante a movimentação.

Em certos oponentes, você também vai ter a péssima experiência de ter a auto-mira desativada. Nos inimigos comuns não chega a ser tão incômodo, a não ser quando se enfrenta um grupo ao mesmo tempo. Porém, nos chefões isso é inadmissível e realmente pode te irritar. Aconselho a não jogar o controle na parede ou na TV nesses momentos, ambos não têm culpa. Além deles, o sistema de nivelamento também te incomodará. O jogo foi feito para ser difícil, isso não é um problema. Mas você só pode aumentar atributos se derrotar determinados chefes, e não são todos que te dão o item para te impulsionar. Em alguns casos, chega até a ser injusta a quantidade de dano que você causa e que te causam em troca, tornando o sistema bastante questionável por impossibilitar a grind de antes e trancar o jogador, impedindo-o de ver os momentos marcantes que o aguardam à frente.

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Apesar da árvore de habilidades ser interessante, avançá-la é um processo lento.

Porém, mesmo em meio aos aspectos questionáveis, Sekiro é incrivelmente bem-executado, demonstrando o primor de todo o trabalho que a From Software tem executado e aprimorado na última década. Ele é imersivo, seus elementos visuais são muito interessantes e finalmente temos uma narrativa forte que te envolverá com este universo. A cada desafio, morte e retorno você realmente se sentirá mais motivado a voltar e tentar mais uma vez. Às vezes, só faltou um ataque para a vitória, ou o inimigo tinha uma última carta na manga que você desconhecia, mas isso não o pegará mais de surpresa na próxima tentativa.

Tendo em conta que é um jogo de nicho e que exige um bom volume de tempo para dominar, vale a pena de ser jogado e é um game obrigatório se você é fã da franquia Souls e de Bloodborne. Alguns dos erros citados podem ser corrigidos via atualização, então é algo que pode ser trabalhado no futuro para maximizar as experiências que terá com a sua jornada. Sekiro: Shadows Die Twice pode muito bem ser o jogo definitivo de shinobis e tem tudo para ser o mais querido da empresa entre os antigos fãs, podendo ainda conquistar outros novos admiradores por seu sistema flexível e complexo de combate.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Narrativa e ambientação impressionantes
  • Chefões e inimigos memoráveis
  • Desafio quase sempre justo e satisfatório
  • Muitas rotas alternativas para progredir
  • Ótima combinação entre combate direto e stealth
  • Desempenho do jogador tem efeito direto sobre a narrativa e o mundo

Contras

  • Sem modo de foto
  • Algumas engasgadas na taxa de quadros
  • Câmera problemática
  • Sistema de nivelamento
2 comentários
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Bruno
Bruno
3 anos atrás

Esse jogo é foda, parabéns pela review

Will Levrone
Will Levrone
2 anos atrás

Já joguei Bloodborne e Dark Souls e sofri muito com eles, agora com o Sekiro não sinto confiança nenhuma eu sei que vou passar imensa raiva e momentos de desespero e por conta disso prefiro assistir vídeos de gameplay.

E pelo que eu vi é um jogo bem interessante, mas não é pra mim.

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