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Review – SolSeraph

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solseraph

Lembra de ActRaiser? A SEGA lembra! Esse é um daqueles jogos que passou batido por muita gente, mas todo mundo deveria conhecer. Lançado em 1990 para SNES e desenvolvido pelo estúdio Quintet, ActRaiser te colocava na pele de uma divindade que deveria salvar o seu mundo e seus adoradores de deuses perversos, misturando ação e plataforma com mecânicas de construção e gerenciamento de recursos.

Foi se baseando nessa ideia que nasceu SolSeraph, um sucessor espiritual de ActRaiser desenvolvido pelo ACE Team e publicado pela SEGA. É até estranho vermos um jogo tão cult como este recebendo uma “sequência” quase 30 anos depois de sua estreia, mas não podemos ignorar o fato de que seus desenvolvedores também fizeram jogos incríveis como Abyss Odyssey, Rock of Ages e The Deadly Tower of Monsters.

Brincando de ser deus

No começo do mundo, só havia caos. A ruína reinou nos primórdios até que as duas maiores divindades do universo, o Pai Céu e a Mãe Terra, expulsaram o caos e criaram o mundo como é conhecido, sendo a humanidade sua criação mais preciosa. Após povoar o planeta, seus criadores o deixaram para que as pessoas pudessem viver e progredir no seu próprio tempo, porém os deuses mais jovens permaneceram por lá, invejando e odiando a raça humana por terem recebido tantos dons e amor do Céu e da Terra.

Os deuses jovens passaram a atormentar o homem com catástrofes naturais e ataques de monstros, obrigando todos a se dividirem em tribos pelo mundo e lutarem pela sua sobrevivência. Felizmente, nem tudo está perdido já que Hélios, o Cavaleiro do Amanhecer, foi a única divindade que sobrou para responder às preces de seus adoradores e lutar a favor da humanidade.

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Os chefes sempre oferecem as melhores batalhas!

Toda aquela descrição que fiz sobre ActRaiser no primeiro parágrafo também se encaixa perfeitamente em SolSeraph, pois ele segue exatamente a mesma linha de raciocínio. Começamos jogando os trechos de ação e plataforma, fases sidescrolling em 2.5D onde pulamos para todo lado e enfrentamos muitos inimigos.

Ao mesmo tempo que Hélios conta com vários movimentos que auxiliam no combate, ele não é tão overpower quanto parece. Podemos atacar ilimitadamente com sua espada ou atirar flechas com seu arco mágico, mas essas flechas consomem mana e podem acabar. Também é possível usar um escudo para bloquear alguns ataques e se esquivar de uma maneira muito específica: dando um dash para trás. Essa esquiva mais atrapalha do que ajuda, afinal esse é um jogo de plataforma em que você deve sair pulando por vários precipícios, então dar um dash para trás não é nada seguro.

O combate oferece um desafio bem moderado, ao mesmo tempo que consegue frustrar bastante em vários momentos. A maioria dos inimigos morrem com poucos golpes, mas eles atacam em abundância o tempo inteiro, tornando difícil se livrar de todos eles sem perder uma quantidade de vida considerável. Além disso, quase todos têm a única função de pular na sua direção em uma velocidade surreal, te dando uma fração de segundo para tentar esquivar.

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A variedade de inimigos é boa, mesmo que quase todos só saibam pular em você.

Esse excesso de monstros pulando em cima do seu personagem não soa como parte do desafio proposto pelo título, pois além de ser um ataque muito tosco, também é injusto e irritante. Parece até que rolou uma preguiça dos desenvolvedores na hora de planejar os ataques que cada inimigo teria. A movimentação de Hélios também não ajuda, pois mesmo com todas aquelas funções ele ainda anda e desempenha tudo de uma maneira travada e meio lenta, o que provavelmente foi proposital para deixar o jogador com uma certa desvantagem em relação aos inimigos, que são muito mais rápidos que você.

No geral, uma vez que você já se adaptou com as limitações do personagem e conhece de cor cada movimento dos inimigos que cruzam o seu caminho, o jogo se torna muito mais fácil e previsível, mas até isso acontecer pode te dar uma pequena dor de cabeça.

Quem ama, cuida

SolSeraph lhe oferece um mundo com vários continentes ameaçados, cada um com seu próprio ecossistema e tribos que precisam do seu auxílio. Esses locais são as fases do jogo, mudando apenas o cenário e os inimigos. Não existe uma ordem a ser seguida, você pode navegar livremente pelo mapa e escolher qual fase quer jogar primeiro.

A diversidade das fases é boa e os detalhes da ambientação são bem legais, mesmo com gráficos ultrapassados. Na fase de neve, por exemplo, seu personagem até some no cenário devido ao excesso da cor branca, o que acaba oferecendo um desafio extra ao jogador. A variedade de inimigos também é interessante, mas você sempre vai enfrentar o mesmo tipo de monstro em pelo menos duas fases diferentes, dando a impressão que eles se repetem demais.

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Cadê eu?!

Após concluir o primeiro trecho de plataforma em cada fase, seremos introduzidos aos momentos de construção de cidades e gerenciamento de recursos. Aqui não tem novidade nenhuma para quem joga SimCity ou tantos outros joguinhos mobile do gênero.

No começo, você sempre terá uma pequena tribo de cinco pessoas que precisa de comida e proteção para continuar sobrevivendo. Sua missão será construir novas casas para aumentar seu exército, encontrar regiões arbóreas para coletar madeira, construir plantações para alimentar seu povo e ainda posicionar seu exército estrategicamente para controlar as invasões periódicas de monstros.

Essas partes são mais tranquilas de jogar, pois tudo é muito fácil e intuitivo. A única dificuldade que o jogo propõe será a quantidade muito limitada de madeira que você encontrará no mapa. Uma vez cortadas, as árvores não crescem novamente, o que vai te obrigar a administrar com muito cuidado esse recurso e pensar bem no que é mais necessário quando for construir.

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Minhas quebradas…

Seu principal objetivo é levar seus adoradores até as proximidades de nuvens de névoa negra, que protegem os esconderijos do inimigo. Ao construir um templo ali, a nuvem se dissipa e Hélios poderá adentrar o esconderijo e dizimar os monstros em mais um trecho de plataforma. Ao concluir todos os esconderijos daquela fase, você ganha acesso à última parte dela, onde poderá enfrentar o chefe e salvar de vez aquela região da tirania de um dos deuses jovens.

Os momentos de gerenciamento de recursos dão um novo ar para o jogo. Esse revezamento de dois gêneros totalmente distintos que conseguem complementar um ao outro são um ponto muito positivo. O mais legal disso tudo é poder se sentir uma divindade, de fato. Hélios pode intervir nas batalhas de seu povo usando ataques naturais como trovões e tempestades para lidar com seus inimigos, além de poder usar suas chuvas para tornar o solo fértil. São detalhes legais que tornam tudo mais dinâmico e envolvente.

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Até os sapos te odeiam nesse jogo…

A parte ruim é que o jogo acaba se tornando enjoativo em um ritmo meio rápido. Você terá seis fases para repetir essa rotina de plataforma e gerenciamento, o que leva um tempo considerável para ser concluído em cada rodada. Com o tempo, os momentos de construção vão se tornando cada vez mais arrastados enquanto os de plataforma ficarão rápidos demais, o que tira um pouco da diversão.

SolSeraph é um sucessor digno de ActRaiser, dando uma repaginada moderna e não poupando esforços em deixar tudo o mais próximo possível do clássico. É uma ótima oportunidade para todos conhecerem ou revisitarem o título de uma maneira totalmente nova. Apesar de alguns defeitos notáveis, o jogo cumpre o que promete e é uma boa pedida para todos que querem brincar de ser deus um pouquinho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Consegue ser bem fiel ao ActRaiser
  • Traz gêneros distintos que se casam muito bem
  • Boa variedade de fases e inimigos
  • Cenários coloridos e bem detalhados

Contras

  • Inimigos com ataques repetitivos e irritantes
  • Gráficos meio ultrapassados
  • Não demora muito para ficar enjoativo
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