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Review – Star Wars Battlefront 2

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Star Wars Battlefront 2 img01
Esquadrão Inferno em ação

Star Wars Battlefront 2 saiu e para o desespero de muitos esse pode não ser o ganhador de melhor jogo de 2017, mas sabe qual talvez seja o maior problema desse jogo? Os próprios jogadores! Isso mesmo, você não leu errado. Por mais que muitas coisas nesse jogo estejam erradas, e vamos falar nessa análise sobre o maior crime cometido pela própria EA Games, o maior pecado por trás do novo jogo da franquia Star Wars existe por conta de nós: quem consome e mantém vivo tudo isso.

Não entendeu? É simples! O segundo novo título da série Battlefront é impecável no visual e quesitos técnicos, além de trazer um modo história para completar o que ficou faltando e causou revolta nos fãs; sem contar que o conteúdo apresentado faz parte do universo expandido e consegue expandir o que já vimos em 2015. O único problema fica por conta de não termos um “Star Wars Episódio VII.5” nos consoles e que pudesse ter uma história tão atrativa quanto Rogue One apresentou ano passado, ignorando completamente o hype e a expectativa enaltecida pela proximidade de um novo filme.

Senta que lá vem história

O principal motivo e que deve ser levado em conta por você ao decidir comprar esse jogo é o modo história. Muito taxado como “nada além do esperado” me faz perguntar sobre o que seria esse conteúdo tão aguardando, sendo que somos apresentados a acontecimentos sob uma perspectiva antes não explorada e complementa alguns detalhes apresentados em livros, quadrinhos e até mesmo nos próprios filmes da Disney. Se a EA errou com detalhes do modo multiplayer, na minha opinião ela foi certeira no tom e quantidade de história abordado nesse jogo.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Hask, Iden e Del, o trio conhecido como Esquadrão Inferno.

Somos apresentados à Iden Versio, comandante do Esquadrão Inferno, um grupo de combatentes de elite mantido pelo Império para ações especiais (olá, Death troopers de Rogue One). Interpretada pela atriz  Janina Gavankar, toda a diferença que essa história faz para os acontecimentos entre os episódios VI e VII está em sua interpretação; a partir da explosão da segunda Estrela da Morte e a morte do Imperador, acompanhamos sua jornada para exterminar a Resistência, mostrando um lado de Star Wars que não conhecíamos até agora e, principalmente, que pudesse explorar mais a “humanidade” dos Stormtroopers (talvez por conta de Finn na nova trilogia e quem sabe a General Phasma).

O que me agradou foi o ritmo e a construção narrativa, repleto de detalhes para todos os níveis de fãs com apenas aparições de personagens importantes aos elementos mais inesperados que criam laços com o último filme.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Luke e R2-D2 marcam presença e muitos outros personagens (sem spoiler) vão aparecer para você controlar.

Engraçado notar que diversas cenas mostradas em trailers fazem parte apenas da primeira parte do jogo e muito da história foi guardada para nos surpreender. E realmente conseguiram! Iniciando nossa aventura em Endor, temos um tipo de história até a metade, quando visitamos Vardos em uma missão dada pelo Almirante e pai de Iden, Garrick Version. A partir desse planeta o jogo consegue transformar a maneira como a história é contada e novas mecânicas são inseridas no single player.

Resgatando os jogos do Playstation 2 e PC, agora temos o uso de naves e andadores (AT-ST e AT-AT) que exploram tanto o lado do Império quanto a Aliança, trazendo diversidade e mostrando para essa nova geração como um bom jogo de Star Wars deve ser. Muito tiro, explosões e rapidez nos acontecimentos, a jogabilidade simples é cadenciada por eventos que dão agilidade na forma como a história é contada e pontuada por gratas revelações que complementam o universo expandido.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Nada como pilotar a Millenium Falcon e reviver a sequência em Takodana.

Infelizmente não posso comentar muita coisa para não estragar as surpresas, mas com certeza posso deixar no ar três importantes pontos: será que Star Wars Battlefront 2 é o responsável por mostrar os pais da Rey? Será que foi nesse jogo que vimos o primeiro passo e um dos motivos pelo isolamento de Luke Skywalker? Conhecemos um pouco mais sobre a Igreja da Força e o motivo pelo qual Lor San Tekka morreu em “O Despertar da Força”? Isso sem contar que dois anos depois da Batalha de Jakku e aquele excelente mapa do multiplayer anterior, nós conhecemos mais sobre o que aconteceu naquele planeta. Viu como a história desse jogo consegue ser boa o suficiente para chamar a atenção até mesmo dos fãs mais exigentes? E acredite, isso tudo só é possível através da ótima construção de personagem, não só de Iden Versio, mas também de Del Meeko e Hask, seus parceiros de combate do Esquadrão Inferno.

Um objetivo que ficou distante demais

As primeiras polêmicas levantadas pela imprensa americana por conta das microtransações em Balttefront 2 me ajudaram a encarar esse jogo de maneira diferente. Hoje penso nele como um single player que também tem um multiplayer interessante como complemento e não o contrário como muitos pensam, porém o problema é saber que todo o conteúdo “extra” desse lançamento dependia de dinheiro para ser aproveitado 100%. Se não fosse a intervenção da Disney para exterminar de vez esse mal que vem destruindo os jogos da EA (basta olhar a minha análise sobre Need for Speed Payback), as Star Cards, como são chamadas as loot boxes aqui, são tão erradas que elas, entre diversos problemas, desbloqueiam itens para personagens que você pode não ter acesso. Exatamente o que você leu, mesmo não tendo desbloqueado Luke Skywalker ou qualquer outro, um novo item ou visual diferente para personagens podem aparecer e não ser possível utilizá-lo. Estranho não é? Pois esse é o maior problema desse jogo, afinal a EA interpreta tudo isso como negócio e fonte de renda enquanto nós queremos diversão e bom conteúdo em jogo.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Chegou a hora de entender o que realmente aconteceu em Jakku.

No modo online temos Kamino, Kashyyyk e Theed, como mapas da trilogia prequel, Segunda Estrela da Morte, Endor, Mos Eisley, Yavin 4 e Hoth, como mapas da trilogia clássica, e a Base Starkiller, Jakku e Takodana, da nova trilogia. Dentre todos, acredito que os destaquem sejam os cenários que aparecem nos Episódios I, II e III, pois não tinham sido retratadas dessa maneira em nenhum jogo anterior e apresentam visual muito interessante.

Se Vardos, Mustafar e Bespin me surpreenderam durante a história, acho que Kashyyyk e Kamino tem visuais interessantíssimos e o desenrolar dos conflitos em Theed são realmente nostálgicos, por conta de A Ameaça Fantasma. Mos Eisley também é interessante, pelo visual mais clássico da série, assim como Takodana nos transporta para aquele “mundinho” que vimos boa parte do Episódio VII (você consegue ir em direção ao quarto em que o sabre de luz do Luke estava guardado).

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Mapa de Mos Eisley é um dos mais nostálgicos desse jogo.

Dentre os modos de jogo, os que mais me chamaram atenção foram Ataque Galático e Ataque com Caças Estelares. Ambos remetem ao tempo em que eu jogava outros títulos para Playstation e Nintendo 64, sendo o primeiro com foco mais em objetivos e dando um upgrade no antigo modelo de “conquistar e manter”, mantendo a ideia do jogo anterior, com diversos objetivos e 40 jogadores em tempo real competindo pelos vários cantos dos mapas. Nessa hora é que o visual e capacidade do jogo brilha, pois os melhores mapas conseguem comportar a grandiosidade desse estilo de jogatina, sem cair em repetição dos ambientes.

Já o segundo, como o próprio nome diz, tem foco na batalha espacial com as principais naves da franquia. Nessa hora é que o meu lado fanboy fala mais alto, pois para mim a série sempre será mais sobre naves do que tiros disparado por blasters. Ou seja, ter missões que você precisa cumprir e tirando o foco apenas do estilo mata-mata, fez com que esse modo ficasse ainda mais legal e inclusivo.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Rey, Yoda e duas das novidades: as classes Pesado e Assalto.

Já falando em personagens, nós temos no conhecido Heróis vs. Vilões a chance de jogar com uma variedade maior de personalidades da franquia, com a inclusão de diversos novos nomes como, por exemplo, Rey, Kylo Ren, Yoda, Lando Calrissian e Darth Maul. Ainda sobre os personagens, os antigos jogos da franquia Battlefront apresentavam classes para os jogadores escolherem e depois de mais de uma década sem essa característica, Battlefront 2 retorna com os diversos tipos de combatentes: Oficial, Assalto, Pesado e Especialista, seja do lado da Aliança Rebelde ou do Império. Cada um com características exclusivas deixam os combates ainda mais dinâmicos e aproximam à experiência que já conhecemos em Call of Duty e Battlefield, mas claro que sem perder a temática.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Kamino é o meu mapa preferido dessa nova leva.

Não acho importante falar sobre o modo Ataque, uma versão menor do Ataque Galáctico para 16 jogadores, além do modo Batalha, que trás para dentro desse jogo a insanidade de Call of Duty para quem não consegue participar de partidas mais elaboradas e pensa apenas em arrecadar dezenas de kill points. No fim, apenas dois dos novos modos é que realmente valem sua atenção.

Compras e trocas em uma galáxia distante

As já comentadas Star Cards são os reais problemas de Star Wars Battlefront 2, tirando o foco de verdadeiros e impactantes dificuldades como, por exemplo, a instabilidade dos servidores logo nas primeiras partidas ou até mesmo a falta de opção para customizar a partida ou servidor de jogo que você deseja buscar. A ideia dos loots e trocas baseadas em pontuação é tão insistente que mesmo fora das Star Cards, você precisa deles para utilizar inclusive dentro das próprias partidas.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Até parece um cenário de Wolfenstein, não é mesmo?

A cada participação sua, você ganhará pontos que servirão pra serem trocados por personagens, power-ups e até mesmo naves; chega dos símbolos holográficos pelo mapa, agora se você quiser usar algo mais interessante, melhor ou até mesmo que pode mudar o gameplay durante a mesma partida (no caso das naves), os jogadores precisarão participar da partida cumprindo objetivos ou matando os inimigos, senão nada de pontos ou resgate de bônus para você! Talvez menos inclusivo, porém mais competitivo.

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
Quem será esse encapuzado misterioso?

O que ainda me conforta é ter o modo história, com uma narrativa complementar à tudo o que já vimos até agora, nos games e filmes. Se por um lado a EA prometeu rever a questão das pontuações para resgate de conteúdos extras e a suspensão das microtransações, por outro fico ansioso pelo lançamento de DLCs que vão continuar o conteúdo que para mim é o principal nesse lançamento.

Agora basta esperar pela primeira quinzena de Dezembro para conferir mais um pedaço dessa história com a proximidade de Star Wars Episódio VIII – Os Últimos Jedi e descobrirmos mais sobre Iden Versio. Mais teorias ou pavimentando caminhos para o que veremos no próximo filme?

Imagem do jogo Star Wars Battlefront 2
O confronto em Theed nunca foi tão bem retratado, seja no modo história ou multiplayer.

Depois de tudo isso, o que realmente importa é o quanto você consegue tirar de Star Wars desse jogo e curtir as diversas horas por essa galáxia distante.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Excelente protagonista
  • Boas conexões entre filmes e jogos
  • Construção narrativa interessante sobre elementos do Universo Expandido
  • A beleza e fotorrealismo em todos os modos de jogo
  • Jogabilidade simples como a série sempre trouxe
  • A primeira aparição de Kylo Ren em Episódio VII segue exatamente o último minuto desse jogo!

Contras

  • Microtransações para tudo
  • Existência das Star Cards (loot boxes)
  • Falta de coerência no desbloqueio de novos conteúdos
  • Quantidade de pontos para obter qualquer conteúdo extra
  • Star Wars ainda merece um bom jogo com foco só na história
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