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Review – Super Bomberman R

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Imagem do jogo Super Bomberman R

Depois de ficar sete anos na geladeira, finalmente nossas preces foram atendidas e a Konami resolveu trazer mais um jogo da série Bomberman para os consoles, dessa vez sendo produzido totalmente por ela mesma já que a Hudson fechou em 2012. Desde 2010 sem dar as caras nos consoles de mesa, em 2017 foi lançado Super Bomberman R com exclusividade temporária para o Nintendo Switch. Agora, um ano depois, felizmente temos o jogo disponível nas demais plataformas, antes tarde do que nunca!

Super Bomberman R é um daqueles jogos que atacam direto na nossa nostalgia, sem dó nem piedade. Bomberman é um clássico que moldou o caráter de muita gente, e devo admitir que o peso dele na minha infância foi bem menor se comparado com o de outras pessoas. Eu era um jogador mais puxado para um lado mais obscuro da franquia, sendo que o título que mais joguei do personagem foi Bomberman Wars, do PS1 (um RPG tático medieval), e um clone da série chamado Spark World, de SNES – que é idêntico a qualquer Bomberman mas com fusquinhas no lugar dos Bombers (sim, isso existe). Quando pude experimentar Super Bomberman R, mesmo nessas circunstâncias, me senti criança de novo.

Bomber é um péssimo piadista

Diferente de tantos outros títulos da franquia, Super Bomberman R possui um enredo com cutscenes e tudo. A série foi rebootada e aqui vemos o primeiro encontro de Bomber com seu clássico inimigo, Imperador Buggler (que continua sendo uma mistura de Dr. Wily com Sigma), que ressuscitou cinco Bombers com poderes especiais e os transformou em seus subordinados, os usando para conquistar vários planetas e assim se autodeclarar imperador do universo. Agora cabe ao Bomber Branco e seus sete irmãos partirem em uma jornada para livrar os planetas dos Five Dastardly Bombers e derrotar Buggler no final.

Imagem do jogo Super Bomberman R
Desviando like a boss…

A história é contada em cutscenes antes e depois de se concluir um planeta. Todos os Bombers participam, onde o Branco é o líder deles e o mais responsável, e os outros são diferenciados por outras cores e suas próprias personalidades, uma mais manjada que a outra: Preto é arrogante, mas fica nervoso perto de mulheres; Vermelho tem pavio curto; Amarelo é o bobão e inocente da equipe, e por aí vai. Tudo tem um teor de tosqueira bem alto, mas não para por aí.

Um enredo em um jogo de Bomberman é algo totalmente descartável e desnecessário, afinal tudo que queremos é entrar no jogo e explodir várias coisas – o problema não está em ter uma história, e sim no modo como resolveram contar ela. Cada linha de diálogo desse jogo usa e abusa de humor, mas é aquele extremamente infantilizado que acaba ficando sem graça até para as crianças. Muito provavelmente a única vontade que você terá será a de pular todas as cutscenes e ir direto para o jogo. Ao menos está tudo localizado em português, então você terá a chance de entender todas as péssimas piadas que o game te proporciona.

O jogo possui seis planetas e um secreto que liberamos após a conclusão da história. Em cada um passaremos por um percurso de oito fases, sendo concluído por dois chefes, que é um dos Bombers corrompidos. Antes de cada mundo iniciar, você escolhe um entre os oito irmãos Bombers, e daqui em diante creio que você sabe muito bem como funciona.

Imagem do jogo Super Bomberman R
Eu não te conheço de algum lugar?

A velha fórmula que nunca fica velha

Cada fase é um labirinto diferente que na sua maioria tem o objetivo em comum de derrotar todos os inimigos zanzando pelo local, mas também temos alguns outros, como apertar botões, encontrar chaves e salvar reféns. Podemos dizer que as fases não seguem um padrão de dificuldade, onde tudo isso é definido apenas pelo layout do cenário em questão – as vezes você passa o maior sufoco para vencer uma fase apenas para encarar outra muito mais fácil em seguida.

Quando estamos jogando a história, não podemos voltar para rejogar o que já concluímos até zerar, então uma vez que você está em um planeta, vai ter que ficar nele. Como de costume, vamos encontrando upgrades pelas fases, como itens que aumentam o alcance das bombas, o número de bombas que podemos soltar simultaneamente e a nossa velocidade. Esses itens são acumulados e levados até o final daquele planeta, então é importante explodir tudo desde o começo e pegar tudo que vê, pois nos chefes eles fazem toda a diferença. A única coisa que realmente faz falta são as montarias, porque era simplesmente demais montar em cangurus esquisitos e sair pulando pelo labirinto.

Imagem do jogo Super Bomberman R
Salvando uma galerinha top.

As batalhas contra os chefes são um dos pontos fortes do game, porque são realmente bem criativas e divertidas. Primeiramente sempre enfrentamos o Bomber corrompido em um mano-a-mano, e o único diferencial de um pra outro é o poder de sua bomba, que varia de acordo com a habilidade exclusiva dele. Uma vez derrotado, iniciamos uma segunda batalha onde o chefe se transforma em um robô gigante, fugindo bastante da rotina de correr em labirintos e espalhar bombas em quadrados. A parte chata é que, ironicamente, as batalhas contra os robôs gigantes sempre são mais fáceis que as batalhas anteriores, e caso você esteja com seu upgrade de bombas no máximo dá pra passar delas em um piscar de olhos.

Porém nem tudo é rosas nesse jogo, e ele tem sim o seu grau de dificuldade. Há três níveis de dificuldade ao seu dispor que podem ser alterados a qualquer momento durante a história, influenciando no número de vidas que você tem e na velocidade dos inimigos. Quando você perde todas as suas vidas, tem a opção de comprar mais um lote usando créditos, que é a moeda do jogo. Quanto maior a dificuldade, mais caro será aquele ‘continue’, e vale lembrar que você também pode usar esses créditos para comprar personagens e mapas na loja, então você vai precisar deles.

Imagem do jogo Super Bomberman R
Tamanho não é documento!

A maior dificuldade do game está na câmera, sendo bem fácil perder o seu personagem de vista no meio daquele caos de inimigos andando pra lá e pra cá e aquele monte de coisas coloridas para todos os lados. Isso acontece com muita frequência nas batalhas contra os robôs gigantes, pois eles são tão grandes que a câmera se afasta demais do “chão” e torna seu personagem minúsculo, te obrigando a dobrar sua atenção para não perdê-lo de vista. Fora isso, a dificuldade depende unicamente do layout de cada fase, como já dito.

Multiplayer, a cereja do bolo

Acredito que o motivo de Bomberman ser o que é hoje foi o seu modo multiplayer, que desde sempre divertiu muita gente com seus modos competitivos. Eles ainda estão aqui, tanto online como local, e há mais de um jeito diferente de se jogar esse multiplayer. O primeiro deles é o modo mais básico, onde você só ajeita a partida e joga com até quatro amigos ou entra na lobby e procura outro jogador para jogar contra. O modo online possui rankings (semelhante a jogos de luta), onde seu nível sobe conforme você vence mais partidas.

Imagem do jogo Super Bomberman R
Difícil se encontrar nesse cenário quase monocromático…

Também temos o modo Grand Prix, que é um torneio de Bombers que possui outro tipo de ranking, no mesmo estilo do anterior. Esse me surpreendeu por ser exclusivamente multiplayer, pois ele começa com uma cutscene com direito a crossover com outras franquias da Konami, como Castlevania e Silent Hill. No Grand Prix, você escolhe um personagem e uma habilidade especial e deve enfrentar outros jogadores em uma competição de pegar cristais: você pode coletar o cristal no cenário ou roubar dos outros explodindo eles. O único modo de se jogar o Grand Prix é em multiplayer local ou online, e atualmente está bem difícil de encontrar jogadores, com um online praticamente desértico no momento.

Esses personagens da Konami também são jogáveis via DLC, onde os dois pacotes disponíveis disponibilizam oito versões brilhantes dos personagens já disponíveis, além de Simon Belmont e Drácula (Castlevania), Pyramid Head e Bubble Head (Silent Hill), Vic Viper e Vic Viper dourado (Gradius), Jehuty e Anubis (Zone of the Enders), Reiko (Rumble Roses), Shiori Fujisaki (Tokimeki Memorial), Princess Tomato (de um jogo bizarro que nem merece citação) e Goemon (Mystical Ninja). Ainda há personagens exclusivos para cada plataforma, como Ratchet e Clank (PS4), Master Chief (Xbox), P-Body (Steam) e Max (Switch).

Imagem do jogo Super Bomberman R
Segura esse crossover!

Super Bomberman R é um excelente jogo para matar a saudade do nosso querido Bomber, assim como também é uma ótima pedida para quem quer conhecer a premissa desses robôzinhos e se tornar um novo fã da franquia. Sendo fã ou não, é um título recomendado para todos, mas principalmente pra quem tem com quem jogar, ainda mais se for em multiplayer local, porque esse continua sendo o forte do game. Não é um jogo que investe em gráficos exuberantes ou uma trilha sonora marcante, mas exclusivamente na diversão, tornando-se uma das melhores opções para jogatinas casuais em grupo. Nunca é tarde para se conhecer um clássico, e se for de uma maneira nova que ainda honre as raízes, é melhor ainda!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Todas as mecânicas e elementos do original
  • Multiplayer com várias modalidades
  • Vários personagens jogáveis

Contras

  • História boba e desnecessária
  • Câmera atrapalha bastante
  • Faltaram as montarias
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Raju
Raju
2 anos atrás

Tenho todos os 5 jogos da ótima série Super Bomberman para o SNES (detalhe: todos originais, assim como todos jogos dos meus consoles) e estou curtindo pacas Super Bomberman R!

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