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Review – Surviving Indie

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Em dezembro de 2016 a Devolver Digital Films lançou o documentário Surviving Indie, que aborda o outro lado da indústria de jogos. Dirigido por Richard James Cook e produzido pela Gamestar Arts, Surviving Indie relata as dificuldades enfrentadas por desenvolvedores independentes – incluindo o próprio diretor. Se por um lado o documentário Indie Game: The Movie (2012) é até certo ponto otimista, Surviving Indie é um verdadeiro balde de água fria seguido de um soco no estômago.

Muitos aspirantes ao mercado de desenvolvimento de jogos, inclusive no Brasil, não sabem o que o aguardam. Ingressam a área cheios de otimismo e muitas ideias na cabeça. Afinal de contas, são pessoas que amam videogames. Porém o stress, o bloqueio criativo, a falta de grana, as frustrações e a depressão são experiências vividas apenas por aqueles que já estão nesse barco há um tempo. Vivenciar tudo isso faz parte do aprendizado, da evolução do profissional. Mas, para muitos, este processo é mais penoso do que imaginamos.

Histórias de fracasso

O filme de 90 minutos apresenta histórias de cinco desenvolvedores: Rami Ismail (Vlambeer), Becca Bair Spurgin (Twin Otter Studios), Ryan Zehm (Zim Interactive, NurFace), Jay Tholen (A Jolly Corpse) e Richard Cook (Battlesloths, Super Combat Fighter). O release oficial menciona sete pessoas, incluindo Tyler Coleman (Retora Games) e Kellee Santiago (thatgamecompany, Google Play Games), mas ambos mal aparecem no vídeo. Uma pena, pois gostaria de saber mais sobre os acertos e erros de Journey, Flower e Flow antes do sucesso.

Richard James Cook, diretor de Surviving Indie e criador de Super Combat Fighter
Richard Cook, diretor de Surviving Indie e criador do Super Combat Fighter.

Após a introdução com todos os convidados, o doc foca na história de Richard Cook desde sua formatura no programa Denius-Sams Gaming Academy, da Universidade do Texas (em maio de 2015). Warren Spector, a mente por trás de séries famosas como Ultima, Thief, System Shock e o primeiro Deus Ex, é presidente do programa DSGA – que no momento passa por reformulações para uma versão 2.0. Mesmo qualificado e com várias habilidades, Richard não conseguiu emprego em nenhuma desenvolvedora. Decidiu então criar seus próprios jogos, como Super Combat Fighter, um jogo de luta inspirado em Mortal Kombat (com atores reais e tudo mais). Passando por várias dificuldades, só conseguiu seguir em frente graça à ajuda de amigos e trabalhos de direção de vídeo, como o documentário Pixel Poetry (2015).

A história de Rami Ismail é um pouco diferente: Radical Fishin’, um jogo criado na era de ouro do Flash, estava ganhando uma nova versão (Ridiculous Fishing) para iOS quando sofreu plágio. Rami e sua equipe da Vlambeer viram seu trabalho de meses ser roubado por um estúdio chamado Gamenauts, que lançou seu Ninja Fishing primeiro. É um trecho bem interessante, pois os plágios continuam rolando descaradamente até hoje. A incrível história de Ryan Zehm é contada logo em seguida: o cara viveu como morador de rua por três anos mas não abandonou a produção de jogos. No fim, a persistência deu certo: atualmente, Ryan possui vários jogos de VR premiados em seu portfólio.

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Trecho sobre Ryan Zehm, que viveu como morador de rua, é a mais comovente do filme.

Kickstarter, uma faca de dois gumes

O filme continua com Becca Bair Spurgi, desenvolvedora de Arcadian Atlas, um RPG tático isométrico feito à moda dos anos 90. Becca comenta as pesquisas que fez antes de inserir seu jogo na já inconfiável plataforma de financiamento coletivo Kickstarter, bem como o medo de não atingir a meta dentro do prazo. Vale como aprendizado para quem acha que crowdfunding é a única solução para financiar e lançar jogos, seja aqui no Brasil ou internacionalmente. Felizmente Arcadian Atlas foi financiado a tempo, com previsão de lançamento para Fevereiro de 2018.

Jay Tholen, apresentado em seguida, é outro que fez uso do Kickstarter e falhou miseravelmente com o game Dropsy. E pior, ficou sem emprego ao mesmo tempo. Entre um subemprego e outro, inclusive morando com o pai, continuou desenvolvendo seu game até que, em 2016, conseguiu concluir e lançar Dropsy através da Devolver Digital. Se você não jogou, recomendo com todas as forças. Trata-se de um jogo do tipo adventure /  point and click com gráficos à lá LucasArts (Day of the Tentacle, Full Throttle), no qual o protagonista é um palhaço carente por abraços.

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Becca Spurgi é pura simpatia, mesmo ao enfrentar dificuldades pra lançar seu jogo.

Infelizmente Surviving Indie peca pelo excesso de foco no próprio diretor, Richard Cook. Praticamente a metade do filme é dedicado à ele mesmo. E sua história é tão deprê que fica um ar de funeral em muitas das cenas. Apesar do drama proposital, teria ficado melhor se as histórias fossem contadas uma por vez, com um tempo maior para cada convidado e sem intercalar tanto com o desenvolvimento de Super Combat Fighter. A trilha sonora escolhida também não ajuda, conseguindo irritar em alguns momentos.

Ainda que imperfeito, Surviving Indie é um documentário mais do que obrigatório pra quem deseja trabalhar com jogos, seja como artista 3D, programador, designer de níveis, entre outras carreiras. O filme está disponível no Steam por R$ 4,29 e ainda desbloqueia cartas colecionáveis. Assista e depois volte aqui para comentar o que achou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Cinco histórias para refletir
  • Boa edição e direção
  • O doc funciona perfeitamente como um alerta para os futuros desenvolvedores independentes

Contras

  • Clima desnecessário de funeral
  • Foco excessivo em Richard Cook
  • Trilha sonora um tanto irritante
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