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Review – Sword Art Online: Alicization Lycoris

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A série Sword Art Online e suas diferentes iterações aparentemente nunca chegaram a tirar a sorte grande ainda nos games, levando em conta a recepção mista que os últimos títulos vem recebido. Desde seu anúncio e consequente período de testes, Sword Art Online: Alicization Lycoris parecia se alinhar perfeitamente como a grande chance de SAO estourar nessa mídia, e independente do resultado final, ainda dá para notar vislumbres essa sonhada experiência através de suas dezenas de horas. É uma pena que, para isso, seja preciso ignorar muita, mas muita coisa. 

A grande tragédia de Alicization Lycoris, com suas propostas ambiciosas dentro do que foi visto nos games de SAO, é que uma boa parcela dos jogadores pode se desanimar com o título antes mesmo que ele faça o que veio fazer pra começo de conversa. É interessante a ideia de adaptar a primeira parte do arco Alicization do anime em um primeiro capítulo que precede o restante do jogo, mas a maneira como essa adaptação foi feita levanta sérias dúvidas: a desenvolvedora Aquria achava uma boa ideia começar um RPG de mundo aberto com 10 a 15 horas de linearidade e cutscenes estáticas demasiadamente longas?

Como não começar um jogo

Minha experiência com Alicization Lycoris então se divide entre essas primeiras 10 a 15 horas, e o restante do tempo que passei com o game. Por mais que seja possível separá-las e tentar considerar a parte que o jogo prometeu, não acho que sairia disso uma análise sincera. E a meu ver, pelo menos, começar mal é tão ruim quanto acabar mal quando estamos falando de um RPG de dezenas de horas, quiçá centenas, já que boa parte da experiência pode ser perdida com o tremendo desinteresse que o Capítulo 1 gera de um ponto de vista mecânico. 

Imagem do jogo Sword Art Online: Alicization Lycoris
Cenas estáticas como essa são frequentes e desnecessariamente longas.

Para recapitular a 3ª temporada do anime, o Capítulo 1 de Alicization Lycoris toma o dobro do tempo e a metade da concisão, transformando cenas chave em cutscenes que alternam entre aqueles tradicionais painéis estáticos, com os personagens olhando em direção ao jogador, e aquelas que trocam entre diferentes ângulos in-game, nenhum deles sendo minimamente climático ou distinto. Há alguns CGs esparsos que são lindamente animados, misturando traços 2D com profundidade de campo 3D, mas esses raramente dão as caras. 

Olhem, os temas interessantes e as ideias estão todas aqui, tomando corpo principalmente na metade derradeira do primeiro capítulo, mas muito da minha primeira dezena de horas realmente me aborreceu pela falta de síntese, até porque daria pra entender tudo perfeitamente sem um bocado de filler que surge aos montes aqui. Prova disso é como a partir do capítulo 2, que passa a seguir uma linha narrativa original diferente da 4ª temporada, as cutscenes no geral chegam mais rapidamente à conclusão que querem, ocorrendo inclusive com menos frequência entre os momentos de exploração. 

Tirando essa primeira parte da frente, é decepcionante constatar que mesmo sem ela, Alicization Lycoris fica aquém de seu potencial, embora seja decididamente competente em diversas áreas. Antes mesmo que o jogador perceba esse problema de estrutura e ritmo do jogo, vai ficar claro um dos outros pontos baixos: seu estado técnico. Até em um PS4 Pro, o jogo da Aquria sofre de quedas bastante expressivas de fps, mas além disso tem também um ritmo de frames tão inconstante que isso diretamente afeta o tempo de registro dos comandos.

Imagem do jogo Sword Art Online: Alicization Lycoris
Quando o combate funciona, FUNCIONA!

Esse input lag exacerbado machuca principalmente o sistema de combate promissor, que mistura timing com disciplina de botões e exige que o jogador realmente planeje a próxima sequência de golpes não para ser mais estiloso, mas sim quebrar as defesas do inimigo mais rapidamente e aumentar a taxa de dano que recebe. Apesar de upgrades passivos que aumentam as janelas de técnicas especiais e esquivas aliviarem a falta de resposta dos controles, a experiência continua insatisfatória e também frustrante, afinal dá pra ver claramente como o combate seria tão divertido sem esses problemas.

Alicization Lycoris não é um trabalho preguiçoso, pelo contrário, tem muito aqui que revela um interesse genuíno da Aquria em agradar tanto os fãs do anime quanto os gamers em geral, algo que fica claro especialmente na direção de arte mais consistente (ok, talvez um pouquinho derivativa de outros títulos) e os gráficos agradáveis (quando não estão derrubando a taxa de quadros ou fazendo o aparelho ventilar de maneira inacreditável). Mas Lycoris ainda mostra uma vontade de oferecer sistemas que realmente são profundos, principalmente a maneira como as Skill Trees são aplicadas.

Uma simulação de algo melhor

À moda de tantos RPGs com parties, é possível esquematizar uma build específica para cada um de seus personagens, de acordo com a estratégia de sua preferência. As técnicas passivas em especial são indispensáveis para ganhar uma vantagem tática nas lutas, que podem durar cerca de 15 minutos se o jogador não souber colocar suas técnicas ativas em uso e ficar dando uma de “solo” quando tem um time de personagens poderosos ao lado. Infelizmente, a IA dos companheiros é bastante inerte, então é uma necessidade ter que constantemente atribuir ações a eles. 

Imagem do jogo Sword Art Online: Alicization Lycoris
Quanto maior e mais legal o monstro, mais confusa a câmera.

A variedade de inimigos em Alicization Lycoris é inicialmente agradável, com alguns chefes que se destacam visualmente. Porém aqui vemos novas inconsistências entre a criatividade do visual e a funcionalidade do jogo, principalmente a câmera, que utiliza um sistema de lock-on tão ultrapassado e que sofre para resolver onde posicionará a visão do jogador em batalhas com feras muito grandes (nem me fale naqueles “peixes turbilhão”, que são baleias voadoras que disparam raios e orbes de energia). Quando tudo funciona, realmente funciona, mas é raro o momento em que as mecânicas entram em perfeita harmonia.

Existe uma variedade de outras mecânicas periféricas aqui, algumas com o propósito do fanservice e outras como perfumaria, mas não acho que os fãs do anime vão reclamar delas. Há relações para cultivar com personagens do seu interesse, serviços e desafios para concluir, diálogos opcionais e a funcionalidade online, que é desbloqueado apenas no Capítulo 2 do game. Mas fique avisado se quiser lutar ao lado de outros jogadores reais: o tempo dos carregamentos se estende bastante com o jogo conectado à rede, talvez por conta do sistema de DRM que foi implementado pela Aquria. 

A impressão final que Sword Art Online: Alicization Lycoris transmite é a de que o jogo planejado pela Aquria, por mais promissor e ambicioso que seja, necessitava antes passar por seu próprio Teste de Estresse Final para polir melhor as partes rudimentares que interferem diretamente naquelas mais bem resolvidas. Talvez assim as decisões feitas com o Capítulo 1 pudessem ser mais toleráveis, já que o incentivo de chegar a um mundo aberto mais polido e um combate responsivo seria certamente bem maior. Pelo menos, atualizações já foram anunciadas. Generate Better Game Element. Discharge!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Direção de arte agradável
  • Tem bastante ambição
  • Combate é ótimo quando funciona

Contras

  • Capítulo 1 se enrola demais
  • Mundo leva MUITAS horas para abrir
  • Inúmeros problemas técnicos
  • Tempo de resposta dos comandos é lento
  • Câmera bastante problemática nos combates
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