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Review – The Council – Episode 4: Burning Bridges

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Imagem do jogo The Council

Após um terceiro capítulo revelador, Ripples, o game episódico The Council parecia prestes a entrar em uma reta final emocionante. A investigação conduzida por Louis de Richet na misteriosa ilha havia chegado a um ponto tão esclarecedor quanto confuso, fornecendo mais perguntas que respostas. Uma enxurrada de SPOILERS a partir do próximo parágrafo.

Em Ripples, Louis enfim encontrou sua mãe Sarah, que revela a ele que Lorde Mortimer é, pasmem, um demônio milenar, e que podem matá-lo de uma vez por todas se encontrarem a lança de São Longuinho, encontrada atrás de uma porta secreta no subsolo da mansão. O quarto capítulo, Burning Bridges, resgata a narrativa no mesmo ponto fatídico em que o anterior havia concluído, quando Louis, após tentar abrir a tal porta, tem sua mão decepada por uma contração.

Sarah, no entanto, consegue abrir o caminho para a lança, e os dois devem cooperar para dar um fim às conspirações de Mortimer, possivelmente com a ajuda de outros convidados. É o começo de um estrondoso fim para The Council, ou pelo menos assim parece.

Entrevista com o Diabo

Imagem do jogo The Council
Indiana Jones ficou com inveja.

A história, no entanto, toma caminhos inesperados: com a lança em mãos, Louis é pego no flagra por Mortimer e descobre que ele mesmo é um demônio (!) e que o lorde é ninguém menos que seu pai (!!). Para somar mais uns WTFs, Sarah é, na realidade, sua irmã (!!!), e o roubou no momento de seu nascimento para protegê-lo do pai manipulador. Sabem, coisa básica.

Se a história contada por Burning Bridges parece emocionante, o mesmo não pode ser dito de seu desenrolar no jogo. Como os dois capítulos anteriores, este quarto episódio é estruturado em três partes. A primeira consiste de mais um puzzle, pedindo ao jogador que investigue a mansão para descobrir qual é a lança certa para matar Lorde Mortimer.

Isso, como antes, se torna entediante em questão de segundos, já que Louis se locomove muito lentamente (mesmo com o sprint ativado) e o espaço da mansão continua muito mal mapeado. Outro problema que volta a incomodar é o tempo entre o lançamento dos episódios, que prejudica a memória geográfica do jogador e torna a busca por pistas ainda mais estressante.

Imagem do jogo The Council
Altos papos com Lorde Mortimer.

Entretanto, a segunda parte do episódio dá uma melhorada com as revelações da narrativa. Em termos narrativos, é um tanto quanto fascinante “entrevistar” o Lorde Mortimer sobre sua natureza demoníaca e a influência que tem sobre o destino do mundo. Mortimer, no entanto, não é o diabão que todos conhecemos, e suas intenções são, a princípio, muito positivas: quem não quer o fim da escravidão e a participação política das mulheres?

É interessante também como os tais demônios são explicados aqui, subvertendo uma série de expectativas. Além de não conhecerem suas próprias origens, são criaturas como qualquer outra que habita a Terra. Quando Louis usa a palavra “sobrenatural” para descrever Mortimer, este responde de forma brilhante: “Não é porque macacos não voam que devemos chamar os pássaros de ‘sobrenaturais'”.

Já a descoberta de que Louis em si é um demônio vem acompanhada de novas habilidades: a de ler as mentes dos outros personagens e, em sequência, a capacidade de possuí-los. Legal, não? Pena que demoramos tanto tempo para adquirir esses truques, e fica dúvida se será possível usá-los durante um new game plus.

Destino incerto

Imagem do jogo The Council
Queria mesmo ler as mentes dos devs…

A impressão que fica é de que os devs escolheram o rumo de seu jogo conforme a narrativa avançava, sem implementá-la de forma orgânica à jogabilidade. Já se passaram horas e horas de caminhadas tediosas pela mansão, e a própria árvore de habilidades não pareceu tão essencial assim. Por que introduzir as melhores mecânicas do jogo só agora?

Infelizmente, no fim não importa muito, já que The Council continua a apresentar a mesma pletora de problemas técnicos – serrilhados, quedas de frame rate e animações faciais tenebrosas – e seu quarto capítulo se encerra com uma sequência de diálogos redundantes, como se não soubesse para onde ir após as promissoras revelações de Mortimer a Louis. Vale dizer também que: nope, nada de localização para PT-BR ainda!

No início, The Council parecia destinado a mudar o cenário atual dos adventures narrativos com suas mecânicas de RPG e um denso contexto histórico. A esse ponto, é seguro dizer que nadou, nadou, e nadou. Falta mais um último capítulo para saber se ao menos chegará na praia com fracos sinais de vida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Muitas reviravoltas
  • Novas mecânicas são promissoras...

Contras

  • ... mas chegaram tarde demais
  • Caminhar pela mansão continua entediante
  • Problemas técnicos persistem
  • Final insatisfatório
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