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Review – The End is Nigh

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Sabe quando você tem uma memória gratificante daquele jogo divertidão que você teve contato há uns anos e de repente encontra algo parecido e que resgata todo esse sentimento, não só pela nostalgia, mas também por ser igualmente bom jogá-lo? Isso é o que acontece com The End is Nigh, lançado em julho deste ano para PC e que saiu agora no final do ano para Nintendo Switch, a versão que testei para esta análise. Esse é mais um dos trabalhos geniais de Edmund McMillen, a mente responsável por The Binding of Isaac, aquele joguinho “a lá Zelda” e com sacadas inteligentíssimas. Por esses motivos não tem como negar que esse é mais um título interessante e que merece sua atenção por trabalhar diferente fórmulas de sucesso já conhecidas por nós. Você perceberá que tudo é muito familiar e ao mesmo tempo consegue criar sua própria identidade, explorando novas abordagens dentro desse gênero.

O motivo de eu não ter citado Super Meat Boy, como trabalho realizado por McMillen, é por perceber a proximidade que os dois jogos possuem. The End is Nigh pode ser considerado um sucessor espiritual, assim como Dark Souls é de Demon’s Souls, no entanto esse lançamento consegue construir seu próprio mundinho, esbanja criatividade na temática e arrisca uma narrativa. A história do jogo é simples e o suficiente para nos confundir com uma proposta de possível Metroidvania, o que evolui sua inspiração e base para um título mais atual que aposta no desafio, exploração e colecionáveis. Calma, ele está longe de ser um plataforma no nível de, por exemplo, A Hat in Time, Yonder e Yooka-Laylee. Imagine Super Meat Boy, porém sem a jogabilidade frenética e com mais possibilidades para o modo história e até mesmo conteúdos extras.

Que meleca de jogo

Diferente de qualquer jogo que possa ser trazido à essa discussão, o título que chega somente agora ao Switch tem o que há de melhor já feito com um adicional interessantíssimo: a tentativa de criar um jogo de plataforma no estilo Metroidvania. Por quê “tentativa”? Pelo simples fato desse jogo não trabalhar o uso de upgrades e power-ups para prevalecer a exploração em níveis. Ou seja, do início ao fim você é simplesmente uma meleca que se arrasta e salta por cenários, em busca de tumores para criar um amigo com quem possa jogar seus games preferidos.

Imagem do jogo The End is Nigh
Ash Boy, a meleca sobrevivente de um planeta devastado.

O que difere e inova aqui é a possibilidade de irmos não somente para a direita, em fases fechadas, mas sim poder ir para cima ou para baixo e acessar diversas localidades desse mundo pós-apocalíptico por qualquer direção. Isso sem contar a novidade dos warps, com NPCs que servem como checkpoint e delimitação entre os territórios desse mapa maluco. Essas novidades deram aos desenvolvedores possibilidades de pensar em como alcançar seus principais objetivos (coletar tumores e encontrar jogos escondidos, como parte dos extras), sem ficarem presos à obrigatoriedade de um início e fim a cada cenário novo.

E se a exploração foi criada de maneira diferenciada de jogos nesse estilo (corra, pule, desvie de obstáculos mortais e sobreviva), o seu personagem tem apenas o básico nos obrigando a pensar diferente e agir de maneira única a cada partida. Dificilmente você terá a mesma solução para um desafio igual aos outros, pois basicamente você poderá andar, pular (sem pulos mais altos ou baixos), cair rapidamente e o principal: se pendurar em beiradas ou ganchos. Se agarrar pelos elementos do cenário cria uma série de alternativas e quebra a velocidade frenética de jogos como, por exemplo, Super Meat Boy e N+, dando mais cadência e exigindo paciência do jogador para observar, aprender e atingir o timing correto dos acontecimentos para chegar ao outro lado da fase.

Imagem do jogo The End is Nigh
Cuidado para não cair!

Ainda sendo sinônimo de possibilidades e diversidade, The End is Nigh usa os jogos de videogame do personagem principal como plot e também como conteúdo extra para ser coletado nas dezenas de fases. Algumas muito difíceis e outras escondidas a ponto de não serem notadas facilmente, os produtores se certificaram de compensar aqueles que encontrassem o caminho correto até eles com partidas insanamente difíceis, simulando uma tela parecida com a do Game Boy tijolão. Talvez seja algo que nem todos os jogadores conseguirão aproveitar, por conta da dificuldade (de ter apenas uma vida para completar todo um desafio mortal e que exige muita destreza). No entanto, longe de trabalhar com conteúdo pago in-game ou DLC, a longevidade desse jogo consegue ser ainda maior que outros títulos e acresce pontos positivos no fator replay.

Simplicidade na mistura de cores e sons

The End is Nigh tem o “look and feel” do trabalho já conhecido de McMillen, trabalhando visualmente o cenário de fundo com elementos pixelados e que, ao mesmo tempo, conseguem representar bem a atmosfera sugerida. Nesse caso, em que o mundo foi destruído e tudo transformado em melecas, gosmas, esqueletos ou seres bizarros, a direção de arte acertou em cheio ao criar ambientes com chuva, decadentes, áridos e até com visível interferência do homem, seja por resíduos químicos ou degradação natural. E acredite, tudo com quadradinhos pela tela!

Imagem do jogo The End is Nigh
Esse é só uma pequena amostra do quanto é difícil coletar tumores.

O impressionante é perceber que a trilha sonora, ou até mesmo a ausência dela, servem para pontuar aquele sentimento de tensão para alcançar milimetricamente o espaço correto sem causar grandes modificações no ambiente ou até mesmo causar o pior: a queda indesejada rumo à morte.

A música de abertura é diferente do que você vai ouvir durante o gameplay e totalmente diferente da proposta para os três finais que o jogo possui: The Future, com uma música clássica remixada e acelerada, The Past, com um tom mais próximo do jogo e The Nevermore, que também mantém a proposta principal da trilha sonora.

Imagem do jogo The End is Nigh
Olha a beleza e simplicidade desse cenário. Sensacional!

Como nem tudo é mil maravilhas, o jogo não sabe balancear a dificuldade durante o avançar pela Terra destruída. O mix de fases fáceis e difíceis podem acontecer desde o começo ou até mesmo pegar você de surpresa ao inserir uma nova mecânica; nada impede de você morrer logo de cara no início de novos territórios, bastando um pequeno descuido ou subestimar os novos desafios.

Essa exigência de mais calma, paciência e cautela podem derrubar a confiança de quem gosta de algo mais ágil. E para contribuir negativamente, ao menos no Switch, jogar com o analógico é algo muito mais seguro e preciso do que arriscar com a facilidade e rapidez do direcional. Muitas vezes tive que optar pelas setinhas para evitar erros que aconteciam pelo simples fato de eu pisar em algum terreno que desmoronava ou até mesmo para direcionar melhor o meu pulo, já que usando os ganchos ou extremidades, você consegue impulso para ir mais longe.

Imagem do jogo The End is Nigh
Tá achando o jogo difícil? Espera você chegar em um dos finais, eles podem te fazer chorar.

Ao final, depois de coletar mais de 200 tumores, diversos cartuchos para os vários jogos extras e com pegada retrô, a jornada de Ash em busca de um amigo será pontuada por diversos e gratificante elementos, sejam visuais, sonoros ou desafios. Tudo pensado para levá-lo pelos vários caminhos perigosos e que testarão suas habilidades ao extremo, mas tudo de maneira agradável e sem os irritantes replay jogando seus zilhões de fracassos na sua cara a cada morte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Não é um jogo repetitivo
  • Visual e trilha sonora bem aplicados
  • Explora muito bem os elementos do gênero Metroidvania
  • História suficiente para explicar a motivação do protagonista e o conteúdo extra

Contras

  • Desafios que podem frustrar os jogadores mais inexperientes
  • Explorar os cenários pode não ser fácil, mas seguir em frente não deveria ser uma opção frequente
  • Falta de opções para outros idiomas
  • Não existem indicações na tela para auxiliar sua exploração
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