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Review – The Falconeer

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O vento bate pela janela na manhã tempestuosa do pequeno arquipélago de Dunkle. Despertando de um breve sono, interrompido pelos raios, vou até o poleiro. O meu fiel falcão gigante, chamado de Falcatrua, me aguarda por lá, pronto para o vôo. A missão será simples, levar uma remessa de suprimentos para Basilicus Primus. A regra é simples, se encontrar qualquer confronto, fuja. Mas será mesmo que essa será uma tarefa simples em The Falconeer?

Criado e produzido completamente por um homem só, Tomas Sala, eu já adianto aqui os meus parabéns a toda a produção que ele teve sozinho. Imagino o trabalhão que deve ter dado fazer todo esse mundo funcionar, acredito que muitos desenvolvedores que estão no mercado hoje atingiriam um resultado até inferior sem as suas equipes de suporte. Porém, nem tudo são flores e apesar de ser único, não passa nem perto de ser perfeito.

O voo de The Falconeer

Minhas aventuras com Falcatrua em The Falconeer foram intensas e cheias de perigos. Piratas, dirigíveis, falcões gigantes inimigos, minas aéreas aos montes, tudo no imenso mundo chamado de O Grande Ursee foi feito para te matar. Afundado sob as águas, poucos lugares ilhados ainda mantém a humanidade viva no meio de tantos problemas que rondam esse abismal oceano.

Até mesmo monstros se escondem por ali. Nas jornadas aéreas me deparei com dragões, baleias ancestrais, krakens entre outras criaturas que não esperava encontrar em minha frente. Não vou mentir, Falcatrua sofreu em seu caminho. Tomou porrada, tiro, raio e tudo que era possível em seu caminho. O ambiente também é uma ameaça com tornados, redemoinhos e nuvens carregadas de eletricidade por todo o mapa.

Imagem do review de The Falconeer
Vários mistérios te aguardam em sua jornada.

A proposta é simples, você realizará missões que garantem a segurança de todos num vasto mundo aberto que está submerso. Levará suprimentos, procurará aves perdidas que deviam ter retornado ao lar, buscará itens especiais, assegurará algum perímetro para não ser invadido enquanto defende outro personagem que está de passagem, as situações são várias entre as missões principais e as side-quests.

No início da história, você pode escolher uma classe do animal principal de The Falconeer, que traz grandes diferenças de stats, arma carregada e alguns outros fatores. Tudo isso pode ser realizado upgrades depois, conforme ganha dinheiro e descobre novas áreas. Existem muitos lugares escondidos e que, se não prestar atenção, perderá com uma facilidade imensa.

Imagem do review de The Falconeer
A missão rende uma grana e aumento em sua experiência. 

Rodeado de uma aura mística enquanto descobre tudo isso, este é o grande brilho do jogo. Apesar de uma civilização devastada tentando sobreviver, as crenças e o apelo espiritual retornaram aos populares e rodeia vários diálogos e questões pelo título. No que em alguns lugares é essa a prevalência do clima, em outros também vemos resquícios de tecnologia que foi mantida naquele universo.

Infelizmente, ele contém tantas dificuldades em sua rota até o fim que fizeram eu desgostar completamente de The Falconeer. Pessoal, não adianta o quanto insistam, um jogo sem protagonista ou que não tenha um arco bem definido não conseguirá atrair o suficiente ninguém. O mundo que o game está envolvido é riquíssimo em detalhes, mas não temos com quem nos importar, não há um peso em nada no que fazemos.

Imagem do review de The Falconeer
Os dragões são os menores dos seus problemas aqui.

Eu tive de dar o nome de Falcatrua para a minha ave para sentir o mínimo de aproximação possível, para terem uma vaga ideia. Isso deixou um imenso vazio na jornada e admito que se afundassem uns dois ou três arquipélagos no meio de tudo, não sentiria nem um pouco de falta. É o mesmo efeito que Watch Dogs Legion trouxe, quis pregar uma amplitude, mas sem foco o sentimento não rolou.

Falcatrua

Outra coisa que deixou a desejar e bastante foi o mundo aberto. O mapa é enorme, mas ele só serve para ir do ponto A ao ponto B enquanto realiza as missões. Não tem grandes atrativos além dos mistérios escondidos que citei acima. Em termos de comparação, lembra da razão de Red Dead Redemption 2 não ter dado certo? Também não adianta de nada um mapa enorme, mas que não te dá nenhum incentivo de explorá-lo.

Imagem do review de The Falconeer
O mapa é muito maior que isso e não tem nada de interessante.

Essa é a razão do meu falcão ter o nome de Falcatrua em The Falconeer, pois toda a atmosfera que eles passam é de que terei uma narrativa daquelas e tudo que me foi entregue é um imenso vazio. Várias vezes eu torcia para aparecer alguma coisa para me atacar ou entrava no meio das nuvens com raio para ver se acontecia algum revés no meio das viagens. Triste, mas é a grande realidade por aqui.

Não culpo Tomas Sala por isso, acredito como deve ser complicado fazer o game funcionar com o que ele carregava em mãos, além da pressão externa de ter de fazer isso a tempo para o grande lançamento do Xbox Series X|S. O cara conseguiu fazer um baita de um prato sensacional, mas como diria o nosso ídolo Erick Jaquin, faltou “tompero” para trazer um sabor sem igual no material final.

Imagem do review de The Falconeer
Essa foi uma das melhores cenas que vi no jogo inteiro.

As batalhas são bem-montadas, apesar de ser um inferno batalhar com outras aves, a trilha-sonora também tem um toque especial da lenda Benedict Nichols. As dublagens estão legais, o gráfico também está bem produzido e amei ver o conjunto de estrelas no céu noturno, por exemplo. Mas, sem alma, se tornou uma grande tristeza ir para lá e para cá sem muita motivação para completar meus objetivos.

Se você não quiser completar missões e ficar passeando como quem não quer nada, também pode e até recomendável. Assim é mais simples para desvendar alguns lugares secretos e ver coisas no mapa que antes talvez o jogo nem fosse te levar normalmente. Porém, sem muita ação também, logo isso vai te cansar e você ponderará se é melhor voltar para o poleiro e pegar uma tarefa ou desligar o videogame.

Apesar de The Falconeer ter decepcionado, ele não é um jogo ruim. Mais um tempo na produção e uma equipe auxiliando nos detalhes teriam feito uma verdadeira obra-prima memorável para o fim dessa geração de videogames e o início da próxima. Mas sem muita ação, só deixa um gosto amargo de que tinha tudo para dar certo, mas que não conseguiu atingir todo o seu potencial dessa vez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • O jogo está lindo
  • Trilha-sonora bem executada
  • Os combates são bacanas

Contras

  • The Falconeer não tem uma alma
  • O mapa é extremamente vazio e sem ação
  • Falta de personagens principais é sentida demais
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