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The Hong Kong Massacre

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O dia passa como qualquer outro na cidade de Hong Kong. Crianças vão à escola, adultos levantam para trabalhar e tudo segue normalmente em 1992. Poucos sabem que por trás de toda essa normalidade, existe um homem buscando vingança contra uma organização criminosa que destruiu seu passado. Não poupando esforços, vidas e munição, nosso herói sem nome irá instaurar o pânico em The Hong Kong Massacre.

Lançado recentemente pela VRESKI, no jogo acompanhamos nosso herói em uma verdadeira caçada na cidade de Hong Kong. Trazendo um gameplay frenético e cheio de reviravoltas, aqueles que buscam uma experiência cheia de adrenalina e emoção irão se encontrar apaixonados pelo título.

Mais esburacado do que queijo suíço

The Hong Kong Massacre é um daqueles títulos que atendem um tipo de nicho. Trazendo uma visão aérea e muita sanguinolência, vemos uma forte inspiração no clássico da Devolver, Hotline Miami. Ou seja, existe um público naqueles que já estão acostumados, e este jogo os convida a mergulharem em um mundo de ação e vingança.

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O jogo é contado em segmentos, através de uma entrevista com o protagonista.

Desde o lançamento de Hotline Miami 2: Wrong Number, estava esperando uma nova experiência no estilo e a VRESKI atendeu as minhas preces. The Hong Kong Massacre vai além das expectativas ao misturar seu gameplay frenético com uma história inspirada em grandes clássicos do cinema de ação chinês – como Fervura Máxima e O Assassino, de John Woo – em uma mistura acelerada e soturna.

A história em The Hong Kong Massacre vem na forma de curtos diálogos existentes no jogo. A informação com a qual começamos nos é dada por um investigador da força policial de Hong Kong, que reconhece o protagonista como um ex-detetive. Porém os motivos que guiam o nosso herói sem nome por esta carnificina contra a Tríade Chinesa só serão revelados com o passar do tempo. Seja através do investigador ou de um misterioso bartender, que sabe onde sempre encontrar os inimigos, ou em pequenos monólogos do personagem.

Uma vez que esteja preparado para mergulhar de cabeça nesse mar de sangue, o jogador é direcionado a uma página de armas antes de cada nível, podendo escolher entre um par de pistolas, uma escopeta, um fuzil, ou um par de SMGs. No início, só podemos escolher as pistolas, porém ao completar os desafios dos níveis, recebemos estrelas que podem ser trocadas por armas ou upgrades nas mesmas. Cada fase sempre possui três desafios semelhantes, como completar dentro de um tempo x, vencer a fase sem utilizar a habilidade de câmera lenta e não errar nenhum disparo.

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Hora de enfeitar as paredes com sangue e tripas.

Os upgrades das armas são extremamente úteis e praticamente indispensáveis em determinados estilos de jogos ou fases. Aumentando o número de balas que cada arma possui – não é possível recarregá-las, apenas trocar pelas armas que os inimigos portavam antes de morrer -, velocidade de disparo, poder de fogo e munição infinita. Cada upgrade possui um valor diferente de estrelas para ser desbloqueado.

Visualmente, o jogo remete muito a Sleeping Dogs, com uma Hong Kong escura e com um forte destaque para os letreiros de neon, dando uma sensação inebriante pelas luzes noturnas da cidade. O jogo utiliza a visão aérea, mas diferente do seu antepassado Hotline Miami, aqui temos um mundo feito por completo, indo além do fundo básico de cores psicodélicas da Devolver, o que torna as situações ainda mais tensas e cinematográficas.

Ainda no quesito cinematográfico, The Hong Kong massacre tem como ponto alto a habilidade de slow motion e de esquiva. Uma vez que o jogador tenha escolhido sua arma e começado o nível, ele deverá se aventurar pelo local evitando ser visto pelos inimigos – que podem ser vistos através de flechas que marcam a distância e direção deles pelo cenário – a fim de executar todos. Uma vez que tenha calculado a rota, fica a critério do jogador como abordar da maneira mais segura.

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Por favor, continue…

Mas podem acreditar que não é fácil como parece, pois apenas um tiro é o suficiente para matar o jogador, então acostumem-se com a tela de morte. Uma vez que tenha visto um inimigo, o jogador pode usar a esquiva para deslizar e pular para desviar dos projéteis inimigos, também podendo usar o slow motion para analisar o padrão das balas para decidir se esconder ou atirar. Seja atirando por portas, pulando por janelas, ou dando saltos mortais entre coberturas enquanto abre fogo contra seus inimigos, o importante é matar a todos.

A trilha sonora do jogo mantém o jogador ligado, mas neste caso, infelizmente, não é tão marcante quanto a trilha de Hotline Miami. Ainda assim, consegue manter o jogador motivado, principalmente quando se ouve um beat chinês enquanto se dá um mortal por uma janela, ao mesmo tempo em que se abre um buraco do tamanho de uma bola de basquete no peito de um inimigo.

O jogo funciona em um sistema de níveis, o que permite que o jogador repita fases anteriores em busca de tempos melhores, maiores pontuações e mais estrelas. Em cinco níveis o jogador deve simplesmente limpar o estágio e no sexto combater um boss, depois repetir a fórmula. É uma estrutura interessante para mostrar quanta destruição um homem pode causar em uma noite.

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Já entendi: se continuar assim, vou começar a ter flashbacks com “I Wanna Be the Guy.”

The Hong Kong Massacre é um jogo bem difícil, o que pode acabar afastando os jogadores que não curtem desafios que podem causar reviravoltas a qualquer momento. Às vezes o menor deslize pode significar uma bala atravessando o cérebro do nosso protagonista, resultando em recomeço do nível. Por isso, deve-se sempre prestar atenção nos cantos da tela, no disparo das balas e sua trajetória, semelhante a um Bullet Hell.

Mas utilizando de uma forma dinâmica para contar a história, um desafio que irá exigir habilidade e comprometimento dos jogadores, The Hong Kong Massacre entrega uma experiência mais satisfatória do que frustrante. Não consegue ser tão genial e polido quanto sua inspiração, mas provavelmente seja um produto mais semelhante a um antigo filme de Kung Fu pastelão: não tão chamativo quanto seus antecessores e concorrentes, mas ainda assim prazeroso no final das contas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • História simples mas envolvente
  • Mecânicas interessantes e fluidas
  • Belo estilo visual
  • Desafiador e satisfatório

Contras

  • Pode ser difícil para iniciantes
  • Poucas armas
  • Trilha sonora fraca
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