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Review – Titanfall 2

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Corre, pula na parede, corre pela parede, dá um salto duplo impulsionado pelo jetpack, cai já deslizando na rasteira, segura o dedo no gatilho e derruba o piloto adversário. Titanfall 2 é isso. Dois anos depois do primeiro, a série da Respawn Entertainment volta deixando de lado a exclusividade para plataformas Microsoft e chega também ao PlayStation 4 trazendo uma novidade que muita gente sentiu falta no game original; o modo single player.

Então, bora começar por ele? Diferente de uma legião de pessoas que reclamaram, eu não me importei com a falta de single player no primeiro Titanfall. Pra mim, se o foco principal de um FPS é o multiplayer, então me entregue isso direito que eu fico satisfeito. E assim foi com o Titanfall original. Mas aí vem Titanfall 2 com uma campanha legal que usa bem as mecânicas de tiro e movimentação, te coloca mais a par da história e cenário, cria um novo grau de envolvimento entre piloto e titã, e quase me faz mudar a opinião sobre a ausência deste do modo no primeiro jogo.

A narrativa de Titanfall 2 conta a história do fuzileiro da Milícia Jack Cooper e de seu recém-adquirido titã BT-7274, que devem, juntos, desmantelar aos planos da IMC em Typhon, um dos planetas da área conhecida como Fronteira. Visto de leve no primeiro Titanfall, Typhon já foi um local com bases científicas funcionais, habitável e tudo mais, mas no tempo presente estas áreas estão destruídas e a natureza voltou a tomar conta, inclusive com a presença de animais alienígenas que lembram bastante o que conhecemos por dinossauros.

Tal qual Half Life 2, Titanfall aposta na construção da amizade entre o humano Cooper e o robô BT, aspecto que funciona muito bem no decorrer do jogo. Sem entrar em muitos detalhes, vocês vão ter que trabalhar juntos e separados, descobrindo o que cada um pode fazer de melhor, o que cria uma dinâmica bem legal para entregar uma espécie de tutorial estendido pra que você saiba direitinho o que fazer no online. Alguns cenários vão pedir mais movimentação entre plataformas, outros o uso de novas armas pelo BT, em determinado momento você deve usar a furtividade… E ainda temos chefes de fase! No fim, a campanha que dá pra ser batida entre seis e oito horas cumpre o papel com méritos.

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Mas você não pega um jogo desses pelo single player, né? Voltando novamente ao primeiro Titanfall, ele me pegou num momento que eu não aguentava mais FPS competitivos. Fui rato de lan house na geração Counter-Strike (1.4, 1.5, 1.6), passei pro Call of Duty a partir do Modern Warfare, nunca tive muita paciência para a cadência mais lenta de Battlefield e depois de Black Ops o gênero estava enterrado pra mim. Mas daí aquela galerinha que pulou fora da Activision vai e cria algo muito mais rápido, frenético e com robôs gigantes. Pronto, tava novamente dentro do jogo. Titanfall foi a minha volta pros FPS e eu passei muito tempo só jogando isso quando sentava na frente de um computador.

Dito isso e você já sabendo que eu adoro o primeiro, posso dizer que esse segundo melhorou o jogo em quase todos os aspectos. O game perdeu um pouquinho de velocidade, mas ganhou em ritmo de jogo. O que parecida caótico agora está mais organizado. Menos NPCs na tela, mapas maiores, mais foco nas batalhas ente pilotos e titãs e também mais equilíbrio.

Antes, a chegada de um titã no mapa representava uma grande vantagem pro jogador e pro time. Agora, essa vantagem não é tão gigante quanto o robozão. Eles estão um pouco mais vulneráveis, com menos poder ofensivo e divididos em categorias específicas. Por exemplo, você só pode ter um titã veloz e que usa golpes corpo a corpo se abdicar de uma proteção extra. Da mesma forma que um titã mais difícil de ser destruído é pesado e lento. E cada um deles tem um conjunto próprio de armas, apesar de existir ainda algumas opções de customização, mas em número menor que o primeiro jogo.

Os pilotos também ficaram ‘mais pesados’, o que acaba se traduzindo em uma física mais realística dentro de um game que você sai flutuando e andando pelas paredes com jetpack. Algumas mudanças de perks, a troca das cartas bônus do primerio para habilidades desbloqueáveis por pontos no decorrer da partida, a adição de um lançador de ganchos pra você se movimentar mais rápido, atingir locais mais altos e se atracar com os titãs…

Tudo isso deu mais equilíbrio tanto para você enfrentar outros pilotos, como para derrubar os titãs. E falando em piloto contra titã, o movimento de rodeio do primeiro game foi reformulado. Agora você não sobe mais no titã inimigo, abre a fuselagem e mete bala nos sistemas internos. Na primeira investida você arranca uma bateria que retira o escudo de energia do adversário e que pode ser usada para fortalecer seu próprio titã. Na segunda, já sem a bateria, você arremessa uma granada internamente no robô que causa um grande dano.

Uma pena que os modos multiplayer mais variados não tenham tantos jogadores, pelo menos na versão PC aqui no Brasil. Raramente consegui conectar numa partida ‘Recompensa’, que você deve acumular dinheiro com kills e habilidades e voltar para uma espécie de banco instalado na base para vencer a partida. Quase sempre você deve se contentar em jogar o ‘Exaustão’, que é o deathmatch mais clássico de todos.

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Ah sim, e falando da parte técnica, o jogo está bem bonito, com uma direção de arte bem legal e um trabalho de sound design de primeira, incluindo aí uma dublagem em português que, apesar de não ser uma maravilha, não faz feio. Visualmente, não é o jogo mais bonito que você já viu nesta geração, mas nesse drama todo atual de performance quebrada, é ótimo ver um jogo que roda bem nos consoles e é muito bem otimizado para computadores. Consegui jogar em 1080p com quase todas as opções gráficas no máximo e 60 FPS cravados em uma GeForce GTX 950, da Nvidia.

Desta forma, Titanfall 2 chega entregando mais que o primeiro, para mais plataformas, mais balanceado e também mais acessível para jogadores que tiveram aversão ao tanto de velocidade e caos do primeiro. Um dos únicos pontos estranhos foi a data de lançamento. Uma semana depois de Battlefield 1 e uma antes de Call of Duty: Infinite Warfare botaram um jogo que ainda precisava se provar no meio do fogo pesado dos dois maiores shooters da indústria.

Mesmo achando que Titanfall 2 seja mais legal que ambos, um jogo desses precisa ter público para o online, e essa datinha aí pode ter dispersado uma galera. Enfim, decisão estranha da Electronic Arts, que pelo menos já avisou que os DLCs serão gratuitos para dar um ânimo na adesão e na longevidade do título. No mais, ponto pra Respawn que fez em 2016 o mesmo que já tinha feito em 2014. Um excelente FPS que, por motivos loucos de mercado, deve brilhar menos do que merece.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Excelentes mecânicas de movimentação, plataforma e tiro
  • Single player legal que introduz bem o cenário e a jogabilidade
  • Cadência de velocidade mais ajustada que a do primeiro
  • Multiplayer balanceado, incluindo os combates entre pilotos e titãs
  • Performance legal nos consoles e versão PC bem otimizada

Contras

  • Poucos jogadores nos servidores brasileiros (Origin - PC)
  • Quando acha partida, é sempre o mesmo modo (Exaustão)
  • Data de lançamento estranha
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