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Review – Tokyo Mirage Sessions #FE Encore

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Tokyo Mirage Sessions FE Review Capa

Liguei o meu Nintendo Switch, sentado à frente da minha estação de jogos. Selecionei o ícone de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore e o apertei, sendo surpreendido por uma tela inicial fria e sem destaque algum. Para quem jogou Persona 5 e esperava um show, é um balde de água fria. Mas prosseguimos. Assim que cliquei em Debut, eu não estava mais em meu quarto.

Como num portal, fui transportado para o meio de Shibuya, no Japão. A cultura ocidental e todos seus elementos são jogados na sua cara de forma tão abrupta que o meu lado otaku gritava. As ruas, pessoas e a música J-Pop tocando pela voz da personagem Kiria Kurono faziam o olho brilhar. Me senti ao meio de uma mistura entre o tradicional e o moderno que fazem das terras nipônicas fascinantes e te levam perfeitamente a mergulhar direto no clima.

A essência de Tokyo Mirage Sessions #FE

Primeiro, gostaria de retirar um mito que a mídia joga sobre Tokyo Mirage Sessions #FE Encore. Ele não é uma mistura de Persona/Shin Megami Tensei com Fire Emblem. Falar isso chega até a ser um pecado com ambos os gêneros. Diria que ele é um filho das séries de JRPGs da Atlus que foi apadrinhada com alguns personagens de FE. Até porque o game se resume a batalha de turnos, em nenhum momento recorrendo ao estilo estratégico que a franquia da Nintendo contém.

Imagem do review de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore
As batalhas são cheias de vida e animação.

Mas não pense você que, por serem batalhas em turnos, os combates sejam parados e sem ritmo. Cada luta conta com plateia e os próprios personagens torcem e se frustram um pelo outro, gerando comentários e frases de apoio. Lembro fácil do protagonista tomar um hit que deixou o HP dele no vermelho e, na vez da personagem Tsubasa, ela estar olhando preocupada para ele e gritando “Força, Itsuki!”. Sabe quando um jogo te ganha nos detalhes? A cada partida eu me via prestando mais atenção neles, percebendo o imenso trabalho da desenvolvedora para nos entreter.

Além disso, a cada vez que atinge um ponto fraco do inimigo, desencadeia combos chamados Sessions. Neles, os demais personagens mantêm a performance e tentam causar uma quantidade maior de dano. Conforme avança, há batalhas que apenas um golpe desencadeia na derrota de um grupo inteiro de oponentes. As habilidades são obtidas conforme se obtém eficiência com determinadas armas, então isso também lhe ajudará em sua jornada.

Ciclos fechados

Em Tokyo Mirage Sessions #FE Encore, o que mais encanta é a mistura intensa de jogabilidades e como isso te faz evoluir futuramente. Enfrentando oponentes, você sobe de nível. Em determinado ponto da experiência, sobe de rank e abre side-quests. Nelas, diferentes personagens obtêm performances e elas podem afetar suas partidas contra os inimigos. Todos os aspectos da gameplay fecham um ciclo e, quanto mais avança, mais desejará percorrer todos os aspectos para fortalecer os laços da equipe.

Já que falamos das performances, também deixo claro que o título lida com o mercado japonês de idols. Adolescentes que cantam, atuam, que são modelos, apresentadores entre várias outras nuances da demanda popular. Cada um dos personagens tem um sonho e uma especialidade, trabalhando diretamente para a Fortuna Entertainment.

Com o surgimento das Mirages, a CEO da empresa começa a convocar jovens que são mais propensos a se desenvolver como Mestres das Miragens para impedir a ameaça de se espalharem pelo mundo. Enquanto por um lado você enfrenta os monstros, do outro você tem de ser um verdadeiro artista. Seguindo a história, surgem em estilo anime vários clipes musicais, shows, programas de TV que alguns participam, entre muitas outras atividades.

Acima eu disse que Tokyo Mirage Sessions #FE Encore se volta muito a fechar ciclos, isso também se refere aos números musicais e essas artes que produzem. Em momentos aleatórios, eles podem usar seus dons artísticos no meio do combate, contando com mudança de trilha sonora, roupa e tudo para destruir os oponentes que estão em seu caminho. Ou seja, mesmo que não esteja muito interessado nessa parte do game, ela é essencial para garantir a vitória contra desafios intensos.

Imagem do review de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore
As performances são muito importantes para o jogo.

Outro recurso muito interessante foi a adição da tecnologia a favor da história. Afinal de contas, estamos no Século XXI, certo? No canto esquerdo superior da tela do Switch sempre surgem notificações, como se fosse um aplicativo de mensagens com informações importantes sobre as missões ou pontos adicionais da história. Também não há um lugar onde não ouça uma das músicas do título ou não veja membros do seu grupo em revistas ou telas. Neste aspecto Tokyo Mirage Sessions #FE Encore vibra de tanta vida que foi inserida neste mundo fictício.

A nomenclatura também está de parabéns, remodelando alguns termos para o mundo pop. O famoso Party virou Casting, o Equip nele se chama Wardrobe, o Status se chama Artists e por aí vai. Isso citando apenas o menu principal quando aperta Y, sem contar a área que a personagem Tiki aprimora as Mirages que seu grupo possui. Como todo jogo japonês, ele também conta com uma centena de skins diferentes, a maioria baseada nos shows que realizam in-game.

Imagem do review de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore
A vida dos idols é um dos principais focos do game.

As mecânicas renovam, mas a mesmice acontece

As mecânicas estão incríveis e, assim como Persona 5, dar vida ao combate em turnos e trazer ainda mais elementos foi um dos grandes acertos do gênero na nova geração. O que faltou mesmo foi criar coisas diferentes no jogo em geral. Se for resumir, o game se trata de andar de um lado para o outro no Japão, entrar em dungeons e enfrentar uns monstros pelo caminho, completar poucos puzzles, derrotar o chefão e passar para o próximo capítulo. Neste ponto, ele não se difere de qualquer outro JRPG do estilo e se torna repetitivo e cansativo quando fora dos combates.

A história também adiciona vários personagens de uma vez só, não dando tempo de cada um brilhar em seu momento. Veja bem, no capítulo 3 você já estará com o hall quase completo e com todos exercendo funções importantes na equipe. Apesar de alguns aparecerem com bastante frequência, você sente que está apressado ainda na segunda dungeon, quando resolvem um mistério que aparentemente poderia percorrer ao menos metade do jogo.

Imagem do review de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore
Zanzar de um lado para o outro cansa e é repetitivo.

Se você já jogou a versão de Wii U, recomendo adquirir essa apenas se for muito fã de Tokyo Mirage Sessions #FE. Para o Switch, incluíram algumas skins, episódios extras que contam detalhes da história que o jogo principal não cobriu e com a participação em combate de Tiki, Barry e da Maiko. Não há nada que vá muito além disso e que te mostrará algo que mude sua visão que teve quando jogou anteriormente.

Antes do lançamento também foi debatido bastante sobre a censura que haveria, mas sendo sincero, isso não atrapalha em nada o andamento do título. Por mais que sintam falta das roupas de praia e quisessem que as personagens femininas usassem menos tecidos no geral, a história não apela em momento algum para a sensualidade nem dá brechas para esse fator ter importância.

Imagem do review de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore
O título teve a censura americana como base para a versão.

Porém se você está entrando nesse universo agora e é fã do estilo da Atlus, é um prato mais do que cheio. Você consegue ver a fidelização perfeita que trouxeram de personagens das diferentes fases de Fire Emblem, assim como as inspirações retiradas da franquia Persona e Shin Megami Tensei. As músicas e os personagens cativam, as mecânicas com batalha de turnos funcionam perfeitamente e o ambiente do pop japonês é muito bem abordado.

Mesmo com algumas falhas, é um RPG obrigatório se você tiver o Switch em mãos. Junto a Fire Emblem: Three Houses, Octopath Traveler e Xenoblade Chronicles 2, ele entrará fácil como um dos títulos mais divertidos da Nintendo do gênero. Ainda que seja uma remasterização, não deixe isso atrapalhar sua experiência, pois não jogar seria um atentado à sua carteirinha de fã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Personagens cativantes
  • Imersão extrema na cultura japonesa
  • Mecânica de combate magnífica
  • Nomenclatura criativa para termos velhos

Contras

  • Dungeons repetitivos e cansativos
  • Não apresenta muitas novidades do que tinha no Wii U
  • Pressa para apresentar personagens
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