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Review – Total War: Three Kingdoms

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Total War: Three Kingdoms_bg

Século terceiro da Era Comum. Chega ao fim a Dinastia Han, a segunda grande dinastia imperial chinesa, tida como a Era de Ouro da história da China. Inicia-se a disputa pelo trono. Uma corrida na escada do Caos. Três grandes governantes se denominam como imperadores com suserania sobre toda a China. Wei, Shu e Wu são os três Estados que, agora, entram em batalha para que seja definido o verdadeiro imperador e a China seja uma novamente.

A fantástica série Total War chega com mais uma instância para o deleite dos fãs. Tendo passado por, basicamente, todos os grandes períodos históricos da humanidade, pelo menos um pouquinho em cada, Total War chega à China. Desenvolvido pela Creative Assembly e publicado pela SEGA, Total War: Three Kingdoms trata do período mais conturbado da rica história chinesa.

Wei, Shu e Wu, o rei vai ser tu!

O período dos Três Reinos foi um espaço de 60 anos, entre 220 e 280 da Era Comum onde três nobres chineses se declararam como imperadores e suseranos de toda a China após um fim forçado da Dinastia Han. Saindo de uma era de grande desenvolvimento econômico, político e social, e caindo direto em mais de meio século de guerras civis, conflitos políticos, tramas e traições.

O contexto histórico é sempre um ponto extremamente relevante para todo Total War, e em Total War: Three Kingdoms, com as campanhas, esse cuidado dos desenvolvedores ganha um brilho todo especial. A ponto de que se não houvesse o gameplay em si, o jogo já valeria a pena pelas histórias sendo contadas e a maneira com a qual são transmitidas.

Imagem de Total War Three Kingdoms
Ia ser TÃO mais legal se fosse com comandantes gigantes lutando!

A sensação que se dá é a de estar acompanhando e interagindo com um documentário dos mais bem produzidos. Não aqueles programas malucos do History Channel, mas as séries boas da HBO. Em um exemplo ainda mais popular, é uma vertente do que seria jogar um episódio/aula de história mega-produzida do Telecurso 2000.

Tratando-se de ser popular, ou de acessibilidade, Total War: Three Kingdoms não é lá dos jogos mais simples, muito pelo contrário. O grau de complexibilidade que os combates podem alcançar chega ao surreal, controlando o posicionamento com ajustes finos de cada uma das unidades no campo de batalha. Para os aficionados, não poderia ser melhor.

Felizmente, os níveis de customização de dificuldade são bem aprazíveis. Não sei dizer se não tive o tempo de me dedicar de forma tão voraz a entender todos os pormenores de movimentações de unidades lanceiras quando enfrentando cavaleiros com espadas em terrenos molhados íngremes, por exemplo, ou se sou um completo imbecil e um fracasso como general de campo. Fica aí essa questão para vocês.

Imagem de Total War Three Kingdoms
Que direção de arte mais linda, to embasbacado!

Na minha visão, como ponto positivo, a complexidade de gerenciamento está voltada somente para o combate. Controlar suas áreas de controle pode ser consideravelmente mais simples, menos urgente, mais compreensível e menos imprevisível. Apesar disso, são muitos pontos a se atentar, como gerenciar sua corte em relação a quem vai assumir quais postos, realizar diferentes tarefas, casamentos, herdeiros e localidades.

Isso sem falar das construções a serem feitas e aprimoradas, ou comentar sobre os desenvolvimentos sociais, econômicos e políticos da sua região. Ou, até mesmo, os acordos diplomáticos com governantes de regiões vizinhas. Como vocês podem perceber, são enormes as possibilidades de trabalho dentro de Total War: Three Kingdoms, e todas precisam ser observadas simultaneamente. Porém, felizmente, a velocidade de controle destes pontos é bem menor, principalmente pela composição em turnos, o que gera, no fim das contas, um ritmo de tranquilidade que o verdadeiro governante não teria. Acaba que cuidar de todos estes filhotes simultaneamente se torna algo relaxante.

Telecurso 220

Além da sensação de documentário, a aparência é outro fator impressionante, já que cada um dos personagens da sua corte ou de outros condados possui uma ilustração única. Cada general, cada nobre, cada administrador possui vestimentas tão diferenciadas quanto suas características e habilidades governamentais. Os detalhes gráficos e qualidade artísticas das imagens são dignos de um passeio por um museu. Poderia facilmente imaginar que as representações são criações originais de artistas da época, dado o realismo e quão fidedignas são às descrições históricas.

A trilha sonora, por sua vez, não é lá muito especial, sendo assim, em um local com tanto cuidado, um desempenho só ok do jogador faz com que sua nota relativa despenque como Mufasa em um penhasco com gazelas correndo abaixo. Tá, talvez não tão triste assim, mas vocês entenderam meu ponto.

Imagem de Total War Three Kingdoms
Eles podem tirar nossa vida, mas não nossa liberdade! Não, peraí, algo de errado não está certo…

De complicações, tenho dois pontos: performance e curva de aprendizagem. Sobre performance, sendo bem honesto com vocês, o jogo foi testado em um computador com i7 7700k, um SSD e SSHD trabalhando em conjunto. Por mais complexo que o jogo seja, a demora para carregar cada um dos mapas e das batalhas era muito maior do que qualquer semelhante. Claro que não é o tipo de coisa que vá te impedir de jogar, mas dá para manter uma revistinha de palavras cruzadas do lado para preencher uma página a cada carregada.

Sobre a curva de aprendizagem, é perceptível que existe um esforço sincero de Total War: Three Kingdoms para que o jogador consiga aprender a jogá-lo. Porém a situação é semelhante, no meu caso, a colocar um estudante recém-saído do ensino fundamental para pilotar um avião. Dando um certo tempinho, ele pode aprender, mas não vai ser rápido, nem fácil.

Imagem de Total War Three Kingdoms
Se o jogo precisa deixar isso na tela de pausa, é um pouquinho complicado, né?

Toda e qualquer tela possui o modo de informações disponível o tempo todo, explicando para que serve e como usar cada uma das seções da interface, assim como uma listagem de comandos básicos na tela de pausa. Independente disso, a quantidade de informações é grande demais para qualquer iniciante. Acredito eu que, caso você já tenha experiência com outras instâncias da série, pegar esse bonde andando será bem mais simples. Infelizmente, não tenho essa expertise para poder comprovar.

Por fim, Total War: Three Kingdoms ainda é uma experiência incrível para quem gosta de jogos de estratégia, seja em tempo real ou por turno, para quem é fascinado por combates à moda antiga ou até por maníacos por história clássica. Além de tudo isso, qualquer pessoa que goste de boas histórias pode aproveitar muito bem as campanhas, principalmente pelas configurações de dificuldade. O único ponto que vejo que poderia afastar alguém seria a curva de aprendizagem, mas com um pouquinho de boa-vontade, certeza que Total War: Three Kingdoms vai se tornar suserano do seu coração.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Narrativas da campanha
  • Ilustrações detalhadas
  • Combates complexos
  • Gameplay cativante

Contras

  • Desempenho estranho
  • Curva de aprendizagem agressiva
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Lucas Sousa
Lucas Sousa
1 ano atrás

Gostei do seu review.

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