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Review – Travis Strikes Again: No More Heroes

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Goichi Suda é um daqueles excêntricos diretores orientais. Sendo assim, ganhou renome por suas obras que fugiam totalmente do mainstream e do que se esperava de games. Criou títulos como Shadow of the Dammed, Killer 7, Killer is Dead e No More Heroes. Da mesma forma como os títulos anteriores, seu “novo” jogo Travis Strikes Again: No More Heroes é uma mistura inusitada de estilos, cores, sabores e tons, tudo embrulhado e entregue em um pacote estranhamente divertido.

Parte jogo de investigação, parte jogo de aventura, parte visual novel e parte muitos outros estilos de jogos, Suda51 traz mais uma vez seu estilo à tona. Travis Strikes Again: No More Heroes é uma mistura de diversos outros trabalhos do diretor, e também um teste para uma possível terceira entrada na série No More Heroes. O que se mostrou um sucesso, já que durante a E3 deste ano tivemos o anúncio de No More Heroes 3 para o Nintendo Switch.

Um dia de cão

Igualmente bombástico igual ao seu nome, Travis Touchdown dominou o submundo dos assassinos, logo que pôs a mão em seu Beam-Saber, uma espada de luz muito semelhante ao sabre daquele filme que começa com Star e termina com Wars. Travis, após anos lutando contra os mais temíveis assassinos a fim de manter sua posição no Ranking de assassinos, resolveu se aposentar. Ele aproveita a aposentadoria prematura da melhor maneira possível: vendo anime e jogando videogames.

Imagem do review de Travis Strikes Again: No More Heroes
Brasil sendo bem representado!

No entanto, existe alguém atrás de Travis,  o pai de uma de suas antigas inimigas: Badman, um maníaco armado com um bastão de baseball, pronto para pontuar um home-run com a cabeça de Travis. Após pedir ajuda a um misterioso homem, Badman recebe um item chamado Death Ball, que o homem diz ser a chave tanto para encontrar Travis e realizar seus sonhos. Após lutarem, Travis descobre a Death Ball, e a luta cessa na mesma hora. Uma arma? Muito pelo contrário.

Badman possui uma das sete lendárias Death Balls, as únicas mídias aceitas pelo Death Drive Mk II, um console lendário, que diz que aquele que conseguir bater todos seus sete jogos, receberá qualquer desejo. Assim, Travis e Badman se unem em diversos gêneros de games, enquanto entram nos mais diversos mundos e buscam as Death Balls espalhadas pela terra, frequentemente alternando entre o mundo real e o cyber-espaço do Death Drive Mk II, entre jogos e aventuras insanas atrás dos jogos restantes.

Travis Strikes Again: No More Heroes é uma experiência “completa” do catálogo de Goichi Suda. Tanto no quesito visual quanto sonoro e na parte de gameplay. Isso é algo que pode ser visto já na abertura do jogo em si.

Imagem do review de Travis Strikes Again: No More Heroes
Extravagante até o fim.

Venha e realize meu desejo!

Assim que foi anunciado, Travis Strikes Again chamou minha atenção. Afinal, sempre vi as pessoas elogiando o título e a diferença de estilo em relação aos outros jogos da série me cativou à primeira vista. No entanto, o cartão de Switch era extremamente difícil e caro de se achar por essas partes. Logo que foi anunciado para Playstation 4 e PC, vi que era minha chance de mergulhar de cabeça nessa aventura tão excêntrica e eclética.

Eclética é a palavra chave para este jogo. Logo que estamos nos acostumando com um estilo de jogo, o vencemos e partimos em busca da próxima Death Ball. Um exemplo disso é o primeiro jogo que jogamos, Eletric Thunder Tiger. Sua tela de inicio remonta às dos jogos de aventura da época 16-bit, e nele temos um grande foco em combate com uma câmera em 3° pessoa. Já no segundo jogo, Life is Destroy, temos uma visão Top Down como nos primeiros GTAs, onde ainda existe combate, mas o foco maior é o de se resolver os puzzles do mapa.

Imagem do review de Travis Strikes Again: No More Heroes
Como não amar essas antigas aberturas em FMV?

O gameplay base do jogo ainda roda em torno do combate de Travis. Sendo assim, o jogador pode estar sempre executando devastadores combos entre seus ataques fracos e fortes.Desta vez, ao invés de assassinos e seus lacaios, Travis e Badman enfrentarão bugs e glitches. Além de seus ataques, ambos podem equipar habilidades encontradas pelos níveis e que também são ganhas após cada final de jogo. Elas se dividem entre habilidades ofensivas, defensivas e de suporte.

Um exemplo é a Heavy Chip, que consegue agarrar o oponente e lançá-lo contra estruturas, enquanto o Dive Chip diminui a velocidade dos oponentes e o Hearth Chip recupera sua energia. Além disto, é necessário recarregar a bateria tanto da Bloody Berry Beam Katana de Travis quanto o bastão de Badman. Para isto, basta segurar o analógico esquerdo e apertar o botão de ataque, para dar aquela chacoalhada revigorante. Também é possível aumentar o nível das habilidades de ambos.

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Referências? Esse jogo está lotado delas!

De volta ao batente

Logo que se alcança um determinado número de hits sem ser atingido, o jogador pode liberar uma habilidade especial. Assim, apertando o botão referente, tanto Travis quanto Badman liberam ataques que vão ficando cada vez mais chamativos com o tempo. Em suma, ambos desferem alguns ataques poderosos e terminam de maneira diferente: Travis ataca com o espirito de um tigre cibernético e Badman com um dragão digital.

As outras mecânicas de gameplay de Travis Strikes Again são inseridas lentamente através dos personagens White Sheepman, Dr. Juvenile – a criadora do Death Drive Mk II, que se encontra presa dentro do sistema – e do próprio espírito do console. Dois personagens, chamados Death & Drive, constantemente tentam matar Travis mas nunca conseguem, porque não possuem energia o suficiente ou apenas não compraram o DLC de “Ataque que mataria Travis Touchdown”.

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O vovô não ensina nada de gameplay, mas sim lições de vida!

O jogo se mantém novo e inusitado a todo momento, evoluindo e acertando o jogador enquanto o mesmo evolui tanto no sentido gamewise, quanto dos personagens em si. Durante o gameplay, é possível utilizar os pontos de experiência ganhos para evoluir tanto Travis quanto Badman. Outro ponto interessante é a função coop, ou seja, caso não queira jogar sozinho, basta conectar um segundo controle e formar uma dupla de destruição, aumentando a adrenalina e os golpes devastadores.

Cartões de chamada a la SUDA51

À primeira vista, Travis Strikes Again: No More Heroes parece pouco chamativo em relação a outros jogos atuais. Não apenas AAAs, mas indies também. Assim, muitos podem deixar o título passar batido. Mas a questão é que, mesmo resgatando gráficos e gêneros antigos, o jogo foca bem mais em títulos da própria Grasshopper Manufacture e de Goichi Suda, o que permite que tanto jogador e diretor revisitem o passado da empresa e de antigos títulos, revivendo momentos e fazendo piadas com os mesmos.

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Hora de upar e personalizar as habilidades.

Logo na abertura, que traz um estilo visual muito reminiscente de jogos como Killer 7 e Killer is Dead, podemos ver que o jogo é recheado de easter eggs e referências. Logo após esta primeira abertura, vemos uma segunda, que na realidade é o trailer do jogo, que muda abruptamente para um estilo mais HQ agressivo, como o de Shadow of the Dammed. Isso sem contar os segmentos da aventura em busca das Death Balls que se passam em Visual Novels, trazendo um ar de The Silver Case com seus retratos e caixas de diálogos deslizantes.

SUDA51 é famoso por  suas escolhas peculiares, cartões de chamada,  apresentação de mecânicas e histórias peculiares. Um grande exemplo disto é em Flower, Sun and Rain. Um jogo de aventura investigativa que faz graça com o próprio gênero, com constantes quebras da quarta parede e interagindo com o jogador. Algo que também está presente aqui em Travis Strikes Again, com Travis mesmo dizendo que no momento em que o jogador pega o controle, ele deixa de agir por conta própria e se torna apenas uma máquina à mercê das nossas escolhas.

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Nada a ver com aquele cara, o “Deadpole”, como Travis mesmo diz.

Junto com uma trilha sonora de ponta, trazendo todos os pontos fortes dos gêneros selecionados, misturados a um estilo de arte de ponta, o jogo é muito atraente. Em um momento, somos agraciados com uma tela ao melhor estilo 16-bits SNES. No próximo, vemos uma abertura low-poly toda quadrada, trazendo todos aqueles AESTHETICS da era do PS1. Mas claro que, infelizmente, o jogo também possui seus pontos fracos.

Passado de volta no futuro

Um dos pontos mais fracos de Travis Strikes Again: No more Heroes são os momentos longos, e acredite, existem muitos destes. Durante as aventuras através dos games, como dito antes, Travis e Badman devem enfrentar inimigos e passar níveis. Falando assim, parece algo razoavelmente simples, no entanto alguns dos jogos realmente se arrastam por tempo demais. Como Life Is Destroy, onde devemos solucionar puzzles com as ruas da cidade enquanto buscamos o assassino Mr. Doppleganger.

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Taí uma conversa inesperada.

Se fossem apenas cinco níveis, já seria algo razoavelmente desafiador, ainda mais com a bizarra cabeça que nos persegue durante os níveis de Travis Strikes Again. Essa, caso pegue Travis, o mata instantaneamente, tendo de recomeçar tudo novamente, e o jogo se arrasta por nove longos estágios que se tornam maçantes depois de um tempo. Outro grande problema é a questão da vida do personagem. A única maneira de se recuperar vida aqui é subindo de nível ou comendo em um dos carrinhos de macarrão instantâneo.

O problema é que subir de nível depois de um tempo fica realmente difícil, pois exige muitos pontos. E cada jogo possui apenas um ou dois carrinhos espalhados pela sua duração total. Ou seja, cada dano, além de diminuir a energia de combate, irá deixar o jogador cada vez mais em uma situação apertada. Por isso, é sempre bom prestar atenção na barra de especial supremo e nas habilidades básicas, para maximizar o dano causado e reduzir o dano sofrido.

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Um menu tão lindo que dá vontade de tatuar.

Travis Strikes Again… and again

Afinal de contas, como Travis Strikes Again: No More Heroes se sai? Como os outros jogos de Goichi Suda, é intensamente visual e artisticamente experimental – algo que eu particularmente amo -, com um alto foco no design e feeling do mundo e seus habitantes. Travis é um ótimo exemplo disto, por fora parecendo um Greaser saído diretamente da década de 70 em um universo futurista, com uma moto potente e uma katana laser, além de ser o assassino número 1 do mundo do crime.

Mas quando entramos em seu trailer e vemos sua coleção de camisas, descobrimos que Travis não passa de um otaku / gamer preguiçoso. Tal qual aquele que vos fala, Travis é viciado em animes e jogos como Hotline Miami, e possui diversas camisas com estampas de jogos e mangás. Isso gera uma interessante conversação entre jogador e protagonista, mas existem outros inúmeros protagonistas mais bizarros em suas obras, como o assassino e gigolô Mondo de Killer is Dead, ou a assassina e líder de torcida de Lollipop Chainsaw.

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Jogar com um parceiro? Demorou!

Então caso queira experimentar diversos gêneros de games em um título só, onde você busca sete esferas mágicas que realizam desejos, Travis Strikes Again: No More Heroes é uma ótima escolha, além de ser uma viagem divertida por antigos gêneros de games, com personagens estranhamente agressivos e estilosos. Além disto, o jogo já vem com a DLC inclusa para PC e PS4 e a possibilidade de se jogar com a vilã Bad Girl, do primeiro No More Heroes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Estilos de arte fantásticos
  • História divertida
  • Personagens estilosos
  • Gameplay envolvente

Contras

  • Arrastado em certos momentos
  • Pode não agradar a todos
  • Dificuldade nem sempre balanceada
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