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Review – Uncharted: The Lost Legacy

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Essa é uma das análises mais difíceis de se começar, pois não sabia ao certo se começava focando em algum assunto polêmico sobre a série ou se resgatava a beleza impressionante que os jogos da franquia possuem. Uncharted: The Lost Legacy é mais do mesmo ou um presente para os fãs que estão órfãos, após a despedida de Nathan Drake? O exclusivo da Sony acabou chegando muito próximo de suas inspirações? Ou será que tudo isso é apenas o início de uma nova fase? Acompanhe esse texto para descobrir um pouco sobre todos esses detalhes e como o “último” episódio ainda tem fôlego para impressionar.

Sai o protagonista malandro, com um “quê” de anti-herói e que entregou uma versão moderna de Indiana Jones, para conhecermos uma personagem que vai muito além do que vimos anteriormente em Among Thieves, o segundo jogo lançado pela Naughty Dog. Mesmo com uma história superficial, conhecemos um punhado de ideias que fazem para que esse jogo contribua para que 2017 siga como um ano incrível e repleto de jogos bons.

Build-A-Be… Uncharted

Lembro até hoje de ter jogado Asgard Chapter, que era um jogo genérico de RPG com uma skin de Cavaleiros do Zodíaco. Engraçado que algumas gerações depois ainda consigo perceber que chegamos em 2017 e encontramos a mesma coisa do que era feito em um RPG Maker: criar um jogo reunindo peças já prontas. Utilizando sempre a mesma temática, desgastada por apresentar a mesma solução a cada lançamento, a Naughty Dog parece trabalhar com os elementos já desenvolvidos anteriormente para juntarem em uma colcha de retalhos. Assim como uma loja americana do Build-A-Bear, Uncharted parece ser construído a partir de um mix and match de tudo o que já vimos antes.

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Que dupla sensacional conseguiram criar

Com cara e tempo de DLC, nós acompanhamos a aventura de Chloe Frazer em busca da Presa de Ganesha antes que o vilão, Asav, coloque a mão em algo tão valioso. Como tudo seria muito difícil de realizar sem a ajuda de alguém, a vilã de Uncharted 2 conta com a ajuda da vilã de Uncharted 4: Nadine Ross. A partir dessa premissa básica é que entra a construção em blocos pré-estabelecidos, com aventura no oriente médio, por meio de uma floresta tropical e com sequências em carro, moto ou trem. Tudo com muita explosão, quedas, arranhões e surpresas “inesperadas” por sete horas de jogo.

O irônico é perceber que Tomb Raider um dia serviu de inspiração para a criação da jornada dos Drake, no entanto a cada ano ficava a dúvida sobre quem copiava quem. Lara Croft reviveu das cinzas se inspirando em Uncharted e que, após a escolha de Chloe como protagonista, deixa claro a intenção de se aproximar do trabalho da Square Enix e Crystal Dinamics ao optar por uma personagem forte e muito bem desenvolvida. Com menos humor e mais sarcasmo, você estará no controle de alguém mais frio e que procura ser mais racional e menos sentimental. No entanto descobrimos seu lado humano pouco a pouco, assim como suas motivações pelo artefato mítico e histórico.

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Artefatos perdidos para os ávidos por colecionismo e exploração

Quando Nadine Ross encontra um outro personagem próximo ao fim do jogo, o qual não falarei quem é para não estragar a surpresa, ela passa por uma tarefa para humanizá-la e ainda ocupar o lugar de Sully. Não é uma tarefa nada fácil, porém ela é executada de maneira magistral, além de mostrar um viés inédito para a história: redenção.

Amizade e redenção andam de mãos dadas no trabalho de construção desses personagens, desconstruindo o que já tínhamos estabelecido para a dupla principal, e mostra que as 15 horas de Uncharted 4 são totalmente desnecessárias quando The Lost Legacy consegue superá-lo em vários pontos utilizando metade desse tempo. Sem prolongar com sequências desnecessárias e mantendo o foco em explicar o necessário, a química dos personagens funciona muito bem e colabora para que o jogo flua mais rápido.

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Um bom vilão e que aparece pouco, mas quando aparece…

O vilão, na minha opinião, é um dos melhores da série. Sai a característica de colecionador louco para um extremista que carrega um “quê” de crítica social e política sobre purificação de raças. Mais uma obra que brinca com fatos reais para construir seu próprio universo. Aparecendo pouco, evitando aqueles encontros indesejáveis apenas para fazer você morrer e aumentar o tempo de jogo, você perceberá um foco diferente de todos os outros vilões que já vimos. Mais inteligente e bruto na medida necessária, seu interesse cruza com o de Chloe e Nadine, mas não necessariamente compete na mesma linha de pensamento. Eles apenas são um imprevisto e obstáculos uns para os outros.

Tudo continua lindo

Se essa é uma colcha de retalhos, com certeza é uma das colchas mais belas já feitas até hoje. Quase como uma obra celta, em que consegue contar uma história com seus significados intrínsecos, ao mesmo tempo que impressiona pela qualidade e beleza. A jornada das duas ladras e caçadoras de artefatos passa por locais já vistos e reutiliza inclusive a jogabilidade já aprendida, até mesmo uma versão mais simples em um trem, assim como feita no segundo jogo. Não tem como não perceber que trata-se de um déjà vu, até mesmo com o jipe por florestas e lamaçal, com seus vários caminhos que sempre levam ao mesmo destino, porém tudo muito bem executado e impressionante pela qualidade gráfica.

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Os puzzles exigem um pouco mais de cérebro do que nos jogos anteriores

A novidade desse jogo fica por conta da cultura indiana, que usa e abusa do ouro. As divindades e suas riquezas, assim como os ambientes palacianos e os detalhes na decoração dos ambientes, são um deleite para todos nós. Um forte apelo para usarmos o modo fotográfico a cada novo cenário encontrado. Com certeza você ficará viciado em apertar os dois direcionais para brincar por minutos em busca do melhor retrato.

Mesmo sendo pouco abordada durante o jogo e deixando mais para o final, há momentos mais didáticos sobre a mitologia envolvendo Ganesha, Parashurama, Shiva e Vishnu. Essa reunião de vários elementos, de jogabilidade à narrativa, fazem com que The Lost Legacy seja um “The Best of Uncharted” e que se preocupa em amarrá-lo aos outros jogos, fazendo com que o artefato dessa história tenha ligação com a Pedra Cintamani, que aparece no segundo e quarto título da franquia. Tudo para amarrar o hinduísmo e o budismo, base cultural para grande parte do conteúdo encontrado durante os seis jogos.

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Claro que sempre precisa rolar QTE ou um smash button básico, né?

A trilha sonora também acompanha essa sensação de “mais do mesmo”, porém pontuada com características e instrumentos que busquem sonoridade que possam nos levar para a Índia. Um complemento obrigatório para a imersão visual causada durante o desenvolvimento narrativo, com aquela obrigação em aumentar seu ritmo a cada acontecimento mais impactante. Sai o tom de Piratas do Caribe para Alibaba e os Quarenta Ladrões ocuparem o estilo que vai pontuar The Lost Legacy, mas com pequenos deslizes por priorizar mais silêncios em áreas com puzzles. Já que as sequências de combate e tiroteio são bem menores e mais breves, possivelmente você não se lembrará da trilha sonora ao terminar a campanha.

Um baú do tesouro

Como disse anteriormente, Uncharted: The Lost Legacy é um apanhado de tudo o que existe de melhor na série. Assim como eu, talvez você já esteja cansado desse estilo, assim como Assassin’s Creed esgotou sua fórmula, apesar do esforço visível em inovar. Desde a personagem aos caminhos cada vez mais variados, com opções de cumprir tarefas na ordem que quiser para prosseguir, fazem com que o sexto jogo consiga ter o tempo ideal para contar uma boa história, construir um lado desconhecido de personagens já conhecidos e trabalhar as mecânicas do jogo sem torná-lo repetitivo. E nessa equação estão os puzzles que você encontrará do início ao fim, com soluções mais inovadoras, deixando de lado o simples empurrar de objetos que tínhamos até o último título para interações diferentes com cenários ou itens. Longe de ser um jogo difícil, especialmente no nível mais alto, talvez o único trabalho maior será encontrar os tesouros perdidos.

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Com certeza Uncharted é sinônimo de diversão e excelentes gráficos

Não é necessário ter contato com os demais títulos, pois Uncharted: The Lost Legacy funciona muito bem como porta de entrada para os jogadores mais novos. Sem contar que acompanha a tendência de representação nos games, com protagonistas femininas e com etnias diferentes das convencionais. Com essa ideia reforçada com diálogos e piadinhas durante o jogo entre Chloe e Nadine, este não é só um bom jogo como tem fôlego para estar em meio a tantos jogos incríveis lançados esse ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • História interessante e desenvolvida o suficiente
  • Personagens que inovam o que já tinha sido estabelecido
  • Gráficos impressionantes
  • Vários colecionáveis interessantes

Contras

  • Baixo fator replay
  • Mais do mesmo dos outros jogos
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