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Review – Unplugged

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unplugged review

Quem acompanhou a era das guitarras de plástico com botões coloridos, jogando exaustivamente as séries Guitar Hero e Rock Band, certamente ficou com saudades da experiência. Ok, não dá pra ignorar que a Activision e a Harmonix tiraram leite de pedra de suas respectivas franquias, trazendo cada vez menos inovações e se amparando em músicas famosas. Mas, por um longo tempo, esses jogos divertiram muita gente.

Guitar Hero Live (2015) tentou se reinventar e criou uma nova guitarra com botões duplos nas casa 1, 2 e 3 do braço, o que não agradou muito os fãs. O jogo em si tem suas qualidades e é legal ver gravações “live action” de shows com a plateia curtindo (ou odiando) a sua performance junto da banda. Porém, o gameplay renovado não empurrou o jogo o suficiente para virar um sucesso de vendas.

Rock Band VR (2017) trouxe uma nova interface, na horizontal, para seguir o ritmo da música apertando os botões coloridos da guitarra, que recebeu 5 botões extras mais abaixo no braço. Acabou ficando mais complicado e impreciso. O diferencial dele está na experiência de realidade virtual, com a platéia e banda naquele estilo visual 3D que definiu a série.

Unplugged saiu recentemente, em outubro de 2021, mas como fui adquirir um Oculus (Meta) Quest 2 somente no mês passado, resolvi correr atrás e conferir o que este game tem de tão diferente dos outros. Afinal, o conceito dele se baseia no “air guitar”, em mexer as mãos em pleno ar fingindo estar tocando uma guitarra real. Um jogo sem controle físico? Será que isso funciona?

Unplugged
Humor e rock and roll, a combinação perfeita

Tocando uma guitarra virtual

Desenvolvido pela Anotherway e distribuído pela Vertigo Games, Unplugged já inicia te explicando como essa brincadeira funciona: você deixa seus controles de VR de lado e ativa o rastreamento das mãos. No backstage, um pôster do guitarrista Russell John Parrish (da banda californiana Steel Panther) ganha vida. Satchel, como é mais conhecido, está preso neste pôster mas aceita seu destino: te ensinar a tocar e curtir essa jornada rock and roll recheada de humor.

Só para constar, Steel Panther é tipo o nosso Massacration, uma banda de paródia de glam rock (rock glamoroso), sub-gênero que foi criado no final dos anos 60 e depois bombou novamente nos anos 80 influenciando bandas famosas como Mötley Crüe, Ratt, Poison, KISS, Twisted Sister, Bon Jovi e Aerosmith, dentre muitas outras.

Satchel explica como se segura uma guitarra virtual, que aparece suspensa na sua frente. Você a segura e a posiciona conforme a sua altura, colocando o ângulo do braço da guitarra do jeito mais confortável possível. O instrumento obviamente não cai; é como se você estivesse usando uma alça, podendo se movimentar (e até pular) livremente.

Unplugged
Parece difícil, mas logo você pega as manhas da palhetada alternada

God Gave Rock and Roll to You

Com os dedos polegar e indicador da mão direita (ou o oposto, caso seja canhoto) você faz o gesto de uma pinça e segura uma palheta que flutua no ar. Com a mão esquerda, você segura o braço da guitarra e posiciona seus 4 dedos para tocar os botões coloridos. A novidade no gameplay de Unplugged, além de jogar com suas próprias mãos, é que você toca essas notas em quatro grandes casas no braço da guitarra, subindo e descendo conforme as notas.

Além de apertar os botões na combinação que aparece na tela e descer pra casa correta, palhetando no ritmo da música, é possível aplicar a técnica de vibrato, tocar notas sem palhetar e até improvisar com solos. Mais legal ainda é ver a interface do game acompanhando os movimentos do seu braço, inclusive envergando tudo quando necessário, pra você nunca tirar os olhos das notas a seguir.

Unplugged celebra 5 décadas de rock and roll, com bandas variadas em gênero e dificuldade, para navegar manuseando CDs e discos de vinil (no caso das bandas mais antigas) e colocar pra tocar. O jogo diverte até na interação com os menus, além de tudo ser bastante intuitivo. Só faltou uma banda tocando junto contigo, para oferecer a experiência completa. Infelizmente é só você, o palco e a plateia praticamente invisível ao fundo.

Unplugged e suas falhas

Conforme vai tocando e concluindo as músicas, novos palcos e instrumentos são liberados pra você escolher. Mas não se empolgue: os palcos são super sem graça e logo você estará focado apenas em tocar as notas, sem dar importância para o que há ao seu redor no ambiente virtual. E os novos instrumentos desbloqueados são apenas skins, sem apresentar qualquer diferença sonora entre eles. O que não é problema, já que a proposta do jogo é a simulação com foco na diversão.

Unplugged
Hora de improvisar e detonar!

Certas coisas não fogem à fórmula já consolidada por Rock Band e Guitar Hero, como um amplificador no canto da tela que exibe um medidor de desempenho, seu combo e pontuação. Se estiver indo bem, a plateia ovaciona e você pode entra num modo especial ao manter o combo alto. Indo mal, a platéia vaia sem dó mas o game dá bastante margem para se recuperar. Ao final da música aparece uma tela informando sua pontuação final, maior combo realizado, quantas notas foram tocadas, o ranking global, etc.

Tudo parece funcionar bem… Até você começar a errar notas e palhetadas que você sabe que tocou corretamente. Entra aí o maior problema de Unplugged: o rastreamento das mãos. O rastreio falha do nada e isso reflete no game como um erro do jogador. A frustração aumenta ainda mais quando, inexplicavelmente, o rastreio do ambiente de segurança é perdido. E lá vou eu sair do jogo, arrumar o Guardião no Quest 2…

Apesar do problema com rastreio, o gameplay de Unplugged me surpreendeu muito – e olha que tive dificuldades pra me acostumar com a ausência da resposta tátil. E dá tranquilo pra se divertir com as 23 músicas do lançamento, incluindo: Ozzy Osbourne, Rush, Lynyrd Skynyrd, The Offspring, Tenacious D, The Hives, e mais. É pouco, eu sei, mas honesto para um jogo indie. Aliás, já saiu o primeiro Riff Pack com mais 4 músicas: “Standing in the Way of Control” de Gossip, “Won’t stand Down” de Muse, “Crow Killer Blues” de Rob Zombie e “South of Heaven” de Slayer. Pra quem gosta de rock e tem um óculos de realidade virtual, sem dúvida vale adicionar este game na coleção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Gameplay inovador
  • Boa escolha de bandas
  • Satchel é um ótimo tutor

Contras

  • Ambientes sem graça
  • Falha frequente do rastreio das mãos
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