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Review – Unruly Heroes

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Há um ano, quando vi o primeiro trailer de Unruly Heroes, eu logo fiquei empolgado. Se lembra Rayman Origins e Legends, com certeza eu jogaria. Mas a semelhança não é à toa: o estúdio francês que desenvolveu este indie, Magic Design Studios, é formado por veteranos da Ubisoft. Ou seja, trouxeram toda a sua expertise artística para esta nova aventura inspirada no famoso conto chinês Jornada ao Oeste (1952), de Wu Cheng’en.

Caso não esteja familiarizado, o romance já rendeu muitas adaptações em várias mídias como cinema, televisão, quadrinhos, música e games. O Rei Macaco (Sun Wukong), por exemplo, está presente em Smite, Shin Megami Tensei IV e Enslaved: Odyssey to the West. Até Overwatch, durante um evento sazonal para comemorar o Ano do Galo em 2018, recebeu trajes inspirados no Rei Macaco para Winston, Roadhog, Reinhardt e Zenyatta. Em Unruly Heroes, o destemido Rei Macaco é acompanhado das outras personagens da obra: o monge Tang Sanzang, o porco Zhu Bajie e o bruto Sha Wujing.

A jornada dos quatro heróis incomuns

Nesta adaptação, um Pergaminho Sagrado que mantém a harmonia entre os mundos é rasgado em pedaços e espalhados. Criaturas despertam promovendo o caos por onde passam e a esperança é depositada nos quatro heróis chineses. Viajando por mundos de fantasia, eles devem recuperar os pedaços do pergaminho e libertar as ​​criaturas da maldição que assombra o Céu e a Terra. Guanyin Pusa, a deusa da misericórdia, o acompanhará nesta jornada como uma guia espiritual.

Imagem do jogo Unruly Heroes
Queremos 4 yakisobas no capricho, por favor.

A primeira fase funciona como tutorial para te ensinar o básico: esquivar, agarrar, pulo duplo, ataque normal, ataque especial e a troca das personagens, possível a qualquer momento. Cada personagem possui sua própria velocidade e peso, influenciando tanto no combate quanto na interação com as plataformas. O macaco é o personagem mais balanceado, sendo o mais ágil e com ataques rápidos. O monge é o mais leve, pulando mais alto e planando como uma pluma no ar, e realiza seus golpes utilizando suas 7 bolas de energia. O porco também pula alto (substituindo o pulo duplo), pode planar usando suas orelhas e seus golpes são um pouco mais lentos. E o bruto é o mais pesado, lento e forte de todos, mas o único capaz de quebrar obstáculos.

Em combate, cada herói possui um combo terrestre e outro aéreo com o ataque comum, além de um golpe de impacto (no ar, segurando pra baixo). O ataque especial muda conforme o direcional e também durante o pulo, porém não se encaixa nos combos. E cada personagem conta com uma barra de mana que ao encher ativa seu golpe mais destrutivo. No geral o combate funciona bem, embora dê para notar uma certa estranheza com relação à velocidade dos golpes e principalmente o pulo. É como se houvesse uma gravidade extra te puxando pra baixo.

Unruly Heroes promove alguns quebra-cabeças de percurso que dependem das habilidades únicas de cada herói. Ao interagir com totens identificados, alguns fixos e outros móveis, cada personagem realiza uma ação específica: o macaco cria um caminho com seu bastão, o monge dispara uma bola que recocheteia pelo cenário até atingir um mecanismo importante, o porco infla como um balão para flutuar pelo cenário e o bruto ganha força extra. Em certas momentos, alguns itens lhe darão habilidades temporárias para prosseguir na fase, como um leque usado para apagar plataformas em brasa e um vaso que suga fumaça (que tira sua visibilidade) e também pode ser usado para puxar inimigos e mover plataformas. A única habilidade permanente do jogo, e que se ganha logo no primeiro mundo, é um dash aéreo.

Imagem do jogo Unruly Heroes
As batalhas contra os vários sub-chefes são incríveis.

Cada um dos quatro mundos possui várias fases (29 ao total), incluindo sub-chefes e quatro chefões divertidíssimos de enfrentar. As fases escondem muitas passagens secretas, que levam à pergaminhos que destravam artes conceituais, e antigas moedas chinesas (aquelas com um furo quadrado no meio) que servem para comprar skins diferentes para cada personagem – uma leve mudança na coloração, nada de mais.

Gameplay em constante metamorfose

O gameplay oferece algumas características conhecidas do gênero, como pular de parede em parede, andar de ponta-cabeça pelo cenário, utilizar portais e revelar plataformas ocultas. Porém o jogo brilha pra valer quando brinca com mudanças completas no gameplay: no submundo, os heróis viram criança e usam sua própria alma (uma esfera) para impulsionar, atirar e deslizar por trilhos. Outra mudança radical ocorre quando você assume o controle das criaturas libertadas: com o lobo, por exemplo, você o controla tendo a habilidade de uivar e chamar outros lobos para resolver quebra-cabeças. Uivar também serve para os lobos atacarem os inimigos em conjunto, lhe dando suporte. Há vários outros exemplos, mas prefiro não estragar a surpresa.

Imagem do jogo Unruly Heroes
Os chefões possuem variações, alterando o campo de batalha, sua velocidade e ataques.

A campanha pode ser jogada sozinha ou em co-op local com mais três amigos. O que muda é a forma como os jogadores passam pelos quebra-cabeças juntos: com o porco inflado, por exemplo, os demais jogadores precisam subir nele para continuar a fase. Se alguém morrer, basta recupera-lo atingindo sua respectiva alma que flutua pelo cenário. Jogando sozinho é importante recuperar os heróis caídos antes que o próprio inimigo os acerte, extinguindo as personagens de vez até chegar ao próximo checkpoint ou final da fase.

Fora a aventura principal, o jogo oferece um modo PvP (local e online) para até 4 jogadores descerem a porrada em cenários cheios de armadilhas. Funciona como um Super Smash Bros., com vidas finitas, power-ups, quedas que matam na hora e a possibilidade de se transformar em uma criatura da campanha, escolhida antes da batalha começar. É divertido, o matchmaking funciona bem, mas o ritmo cadenciado enjoará os jogadores rapidamente.

Imagem do jogo Unruly Heroes
Há jogadores online curtindo o PvP, mas muito poucos.

Visualmente, o game é incrível do começo ao fim. Tudo foi desenhado à mão e colocado em camadas diferentes para dar efeito de profundidade (o famoso parallax). As animações são belíssimas e muito fluídas, tanto para as personagens como para os inimigos e chefões. E por falar em chefões, todos eles possuem evoluções e oferecem um belo desafio aos jogadores. Desafio que poderia ser melhor equilibrado se o gameplay fosse mais preciso, como no impecável Ori and the Blind Forest.

Unruly Heroes é uma aventura visualmente deslumbrante e com uma trilha sonora que encaixa perfeitamente ao tema. O capricho nos detalhes é tanto que até na hora de escolher uma fase – é possível voltar para encontrar todas as moedas e pergaminhos que deixou pra trás – você ouvirá notas de pipa, um antigo instrumento chinês. Não é um game perfeito, pois a precisão dos comandos deixa um tanto a desejar, a câmera às vezes se perde, há momentos em que a trilha some completamente e a qualidade da dublagem oscila entre boa e ruim. Nem uma boa história ele tem. Ainda assim, este é um game criativo demais para perder.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Visual belíssimo, pintado à mão
  • Gameplay com variações distintas e muito criativas
  • Os quebra-cabeças são bem simples, mas sempre divertidos
  • Trilha sonora envolvente

Contras

  • Mal tem história
  • Gameplay às vezes impreciso
  • Dublagem ora boa, ora ruim
  • Co-op somente local
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