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Review – Void Bastards

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Prisioneiro número: 3826. Nome: Clint Burton. Características: Tem uma face altamente desconfiável e consegue abrir portas rapidamente. Crime: Ficou sem tomar banho por tempo demais. Permissão para reidratar concedida.

Em Void Bastards, você é uma fila infinita de criminosos buscando atravessar a nebulosa de Sargasso. Temos um ponto A e temos um ponto B. Quaisquer outras decisões, ficam a seu critério: onde ir, o que fazer, que itens construir, quem matar e de quem fugir.

Ei, você, seu bastardo!

Desenvolvido pela Blue Manchu e publicado pela Humble Bundle, Void Bastards grita aos quatro cantos do mundo suas inspirações em System Shock 2 e BioShock. Talvez seja por um motivo banal: como ser fruto do diretor de desenvolvimento de ambos os jogos…

Sendo honesto aqui, nunca joguei System Shock 2, porém, tendo lido muito sobre e pesquisado profundamente tal joguete, tenho um conhecimento que poderia ser descrito como neófito no que se pode chamar da legião de seguidores das ideias de Shock. A principal das influências de System Shock 2 em Void Bastards está relacionada com a quantidade enorme de interações com diversos equipamentos das naves, como se você fosse um hackerman do século XXXI.

Imagem de Void Bastards
Uma nave com cara de gato. É isso aí mesmo.

Como Bioshock já é um filhotinho de System Shock 2, ele também acaba levando uma bandeira fortemente fincada em Void Bastards: ambientação. Dentro de cada uma das naves você se sente consideravelmente impotente e, frequentemente, impressionado com as dimensões dos espaços que atravessa. Sem entender direito o que acontece ao seu redor, com suas armas de confiança e abraçado ao seu mini mapa, você reza para finalizar rápido o que precisa fazer, antes que o próprio Satã espacial te encontre.

Para adicionar a essa receita de uma porção de interação com o maquinário das naves, duas porções de ambientação, uma pitada de cagaço, vamos colocar roguelite a gosto.

O objetivo é fugir da nebulosa de Sargasso e você encarna na pele de um criminoso recém reidratado para cumprir essa meta. Claramente que a morte vem mordendo seus calcanhares e, quando ela te alcançar, você recebe outro prisioneiro, tão dispensável quanto, com uma sentença tão duvidosa quanto, para servir de avatar do seu objetivo.

Se fosse só isso, a coisa seria muito mais complicada, felizmente, quaisquer itens que você tiver conseguido construir, se mantêm com você. Além disso, o novo prisioneiro ganha um pacote de iniciante de aventureiro, se assim podemos chamar, com algumas munições, comida e combustível. Dali para frente, queridão, é contigo mesmo. Pau na máquina.

Imagem de Void Bastards
A sorte é que magicamente os itens continuam.

Pelo seu caminho, uma miríade de naves. Cada uma delas com um modelo, uma tripulação completamente bizarra, um inventário imprevisível e especificidades que vão te fazer questionar a ação da continuidade espaço-temporal do universo. Isso sem falar no mar de piratas espaciais que estão pelas cercanias e vão seguir seu rastro como piranhas atrás de sangue. Já que a quantidade de sangue que deixamos pelo caminho é BEM grande.

Um atrás do outro, infinitos e descartáveis

Falando em munições, uma parte do sistema de construção refere-se às armas. Um número impressionante em três categorias diferentes estão à disposição dos jogadores. Cada uma das armas, completamente diferente da outra, o que traz uma grande possibilidade de variar nos estilos de jogo ou pela necessidade que a nave pede. Uma vez que você consegue construir uma delas com um personagem, não se preocupe, assim como todos os itens, elas poderão ser usadas permanentemente. Basta economizar munição.

Por que precisamos de tantas armas? Bom, pelas tripulações que encontramos por aí. Alguma coisa muito estranha aconteceu por aí, porque tudo o que se mexe que você encontra nas naves, que não é uma máquina, se tornou uma forma distorcida e bizarra de zumbi-fantasma-cthulhiano-poltergeist-espectral que vai, com certeza, tentar te matar de todas as formas.

Imagem de Void Bastards
Demorando mais para escolher armas que comida no iFood.

Claro que não é um tipo só de assombração horrenda, eles variam desde cabecinhas independentes e flutuantes até monstros humanoides estúpidos de grandes. Nesse meio tempo, podem variar de anões a aparições vestidas como um investigador de um filme noir, passando por nuvens explosivas e funcionários raivosos de uma empresa de contabilidade. Sim, específico assim.

Dos modelos das naves, é como se elas tivessem marcas, algumas são sempre shoppings onde você pode encostar sua caranga e fazer compras. Temos outras que se assemelham a hospitais, onde o foco é em recuperar sua vida e, quem sabe, te dar alguma mutação ou nova habilidade. Ainda temos naves cassino, com dezenas de quartos, quilos e mais quilos de itens para… Guardar. Isso sem falar nas naves de artilharia, de alimentos ou combustível.

O diferencial de cada nave, mesmo as de modelos iguais, está nos diferenciais de estado. Para cada espaço do mapa, temos a possibilidade grande de encontrar uma nave. O que traz a variação é que, como o espaço é meio que um lugar grande, muitas coisas podem estar acontecendo, como uma interferência eletromagnética que desligou todos os aparelhos de segurança ou vazamentos de radiação cósmica. Os meus favoritos, admito, estão divididos entre as autorizações estão desligadas, permitindo que se interaja livremente com as máquinas, sem necessidade de hackear nada, e quando uma parte dos inimigos decide, sabe lá porque, se aliar a nós e ajudar a limpar as salas das aparições.

Imagem de Void Bastards
Turista é realmente algo irritante.

Pela descrição que dei até agora, é bem possível que a visão que vocês tenham do jogo seja de um FPS frenético, intenso, cheio de perigos, ágil, exigindo maestria nos controles de qualquer um que ouse se aproximar dele. Não. Não é isso não. De forma alguma. Quanto mais rápido jogo, mais rápido morro. Às vezes, sem nem me dar conta do porquê.

Void Bastards é um jogo que exige cuidado. Principalmente se você não se liga em um tipo de modo alfa com facilidade. O jogo te dá uma quantidade limitada de recursos e, por mais que você vá obtendo mais pelo caminho, balancear a recuperação de vida, o gasto de munições, a economia de combustível e, acima de tudo, o perigo que os inimigos te trazem, exige com que você pense muito bem em quais naves vai aportar, que caminhos vai tomar e o quanto risco é o suficiente a se correr em cada embarcação. A tensão e o medo são seus companheiros nessa jornada.

A estética do jogo é incrível. Trabalhando em todas as camadas como se fosse uma história em quadrinhos, estilizando as falas e personagens. A utilização de poucas cores em combinação com o cell-shading traz a melhor sensação de uma história em quadrinhos interativa desde Comix Zone. Com a diferença que Void Bastards é, de fato, bom.

Imagem de Void Bastards
A surpresa na sobrevivência é realmente animador.

Por fim, somando o que há de melhor na jogabilidade e ambientação de Bioshock, com a interação inspirada por System Shock 2, a estilização de quadrinho pulp de terror, a estratégia de guerrilha, o elemento roguelite vinculado à história e, claro, piratas espaciais, Void Bastards é uma bela e muito recomendada experiência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Estética de quadrinhos pulp
  • Replay infinito
  • História carismática
  • Alto nível de tensão

Contras

  • Dificuldade extrema
  • Narrativa irrelevante
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