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Review – Yonder: The Cloud Catcher Chronicles

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O jogo de estreia do estúdio australiano Prideful Sloth é uma supresa extremamente agradável e um respiro necessário em meio aos tiros, explosões e estilo hollywoodiano que os lançamentos buscam para impressionar os jogadores. Yonder: The Cloud Catcher Chronicles é uma gigantesca mistura de vários elementos de títulos já consagrados, ao mesmo tempo em que entrega uma experiência despretensiosa, com uma jornada que impressiona por sua simplicidade.

Talvez não seja a experiência que todos esperam, seja por não apresentar desafios ou narrativa, mas com certeza você dificilmente encontrará algo parecido e que reúna tantas características de jogos como, por exemplo, The Legend of Zelda, Harvest Moon e Animal Crossing. Talvez a explicação seja até mais fácil do que parece, afinal o designer Cheryl Vance, presente no desenvolvimento de todos eles, é uma das mentes responsáveis por Yonder.

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O visual deste game realmente impressiona

O importante é você tentar descobrir quais os outros motivos que fizeram com que eu sentisse falta de terminar o meu dia estressante explorando um pouco desse mundo colorido e divertido. E para melhorar, o jogo está totalmente localizado com legendas em português!

Tranquilidade e beleza

O jogador encarna o papel de um jovem explorador que, após um naufrágio, vai parar em uma ilha misteriosa chamada Gemea. Desacordado, você conhecerá a Rainha Sprite e que adiciona a magia à sua jornada ao nos introduzir seus familiares, pequenos espíritos escondidos pelas diversas áreas a serem exploradas e que reunidos terão forças para combater as Trevas. São quase dez ambientes diferentes para conhecer e cumprir suas tarefas a fim de ajudar o povo local e limpar a misteriosa névoa roxa que rodeia e atrapalha a vida de todos, inclusive a sua.

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Os habitantes da ilha Gemea precisam da sua ajuda contra as Trevas

Aproveite o mês de férias e dê um descanso para os grandes jogos e aquela jogatina frenética dos multiplayer online. Yonder é um convite à um gameplay simples com um universo tranquilo e gráficos belíssimos. Por meio de inúmeras tarefas, NPCs dispostos a pedirem favores, coleta e criação de muitos materiais, a sua principal missão será reconstruir Gemea ao mesmo tempo em que salva a ilha de um perigo maior. Esse mundo cartunesco e totalmente aberto, com jogabilidade livre e nada linear, também será uma prova de como uma história bem construída pode ser simples e não recorrer aos esteriótipos; sem violência, vilões mirabolantes, tragédias ou vinganças, “As Crônicas do Apanhador de Nuvens” é criativa e tem seu estilo próprio de como monta-la.

Dentre toda beleza muitos elementos acabaram sendo simplificados, favorecendo a ausência de loading entre áreas ou acontecimentos. Os animais possuem design e movimentação bem simplificada, além de trabalhar os personagem com o mesmo visual base, como vários bonequinhos de Playmobil que são customizados de acordo com as tribos, regiões que vivem ou funções. Para compensar, as paisagens impressionam pela ausência de detalhe e cuidado ao criar os ambientes; a iluminação é de impressionar e funciona muito bem de acordo com as horas do dia ou as mudanças climáticas da ilha.

Mudaram as estações… Tudo mudou!

Lembro a chuva de elogios quando The Witcher e The Legend of Zelda: Breath of the Wild foram lançados e impressionavam pela capacidade em trabalhar visualmente a flora e diversidade de ambientes, assim como a ação da chuva, vento e neve. Yonder não tem a mesma primazia com os gráficos, mas consegue trabalhar muito bem a imersão com ambientes áridos, costeiros, desérticos, com florestas densas ou com casas sobre lagos. Sem contar que mesmo esses ambientes, além da presença da misteriosa fumaça roxa das Trevas, também sofrem com as estações do ano, que aparecem em sua tela como contador de tempo decorrido durante o jogo, e o clima característico do verão, outono, inverno e primavera.

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Dia ou noite, sol ou chuva. Tudo existe em Gemea.

Não percebi influência das estações do ano em suas tarefas ou que poderia condicionar como detalhe para você completar alguma tarefa. Tudo muda, mas apenas visualmente! Gemea fica mais completa e a beleza do jogo acaba sendo incrementada, mas nada impede você de continuar qualquer tarefa de dia ou à noite, no inverno ou verão.

Talvez não seja a maneira como esperamos que as estações criem condições para que o jogo tenha algum diferencial em seu desafio, porém a trilha sonora acompanha todas essas mudanças. De clima ou de característica, qualquer mudança vem acompanhada com uma bela trilha sonora que contribui para nos familiarizar com a exploração no mapa e facilitar os caminhos a serem seguidos, já com o tempo você não precisará mais do mapa ou sua bússola mágica que aponta sempre para sua missão e destino atuais.

Missões, trabalhos e fazendinha

Os vários NPCs pela ilha serão responsáveis por acompanhar sua jornada, fazendo com que as missões, principais ou não, direcionaram sua exploração e jogabilidade para completar a trama principal em busca da resolução para banir as Trevas de Gemea. Os pedidos mais simples podem te levar pelo caminho dos mais complexos e que acabarão te levando à uma das das várias guildas; carpinteiro, alfaiate, construtor ou cozinheiro são algumas das várias opções que você tem e que consequentemente acaba sendo obrigado a seguir.

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Harvest Moon deixou um importante legado

Diferente de um RPG, suas habilidades são únicas e simples, com funcionalidades para todas as profissões disponíveis. Um simples martelo vai te ajudar não só na construção, mas também a conseguir materiais para a sua cozinha. E tudo isso chegando ao nível de Mestre, depois de muito trabalhar durante sua longa jornada em busca de matéria prima, criando ou construindo, sem contar o tempo necessário para administrar tudo isso por conta do espaço limitado em sua mochila.

Para aumentar ainda mais o tempo em jogo, Yonder vai te presentear com pequenas fazendas para você construir estruturas, popular com bichinhos típicos de cada região e colher materiais do seu próprio espaço. Quase como um jogo mobile ou o que um dia já foi Harvest Moon, mantendo sua simplicidade e acrescendo na diversão, sem complicar ou impedir o seu avanço na história.

Muitas horas de calmaria

Talvez você não seja o público-alvo que a Prideful Sloth tinha em mente durante o desenvolvimento de Yonder. Seja pelas limitações técnicas, com poucas ocasiões com queda da taxa de quadros, ou pela falta de desafios, por ser um indie simples de ser jogado e que não apresente nem ao menos uma barra de HP ou que permita você “se machucar”. O importante é você saber que as diversas horas, e não estou exagerando quando digo que passei mais de 10 horas em Gemea, serão muito bem recompensadas e que merecem um espaço em sua biblioteca de jogos.

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Estúdio bom prepara até mensagem onde poderia ter um glitch!

Afinal não é todo dia que temos a oportunidade de experimentar algo tão diferente e que resgata o melhor de jogos da nossa infância em um lançamento que também carrega o talento de um game designer, que contribuiu muito para o que temos nas gerações atuais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Visual impressionante
  • Explorar Gemea é viciante
  • Trilha sonora agradável
  • Jogabilidade simplificada
  • Puzzles criativos

Contras

  • Falta de desafios
  • Distância desnecessária entre NPCs e/ou missões
  • Muitas profissões obrigatórias
  • Fazendas demais
  • Baixo fator replay
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